Conspiracionistas de boteco, “dois legumes” e imbecilidade global

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Conspiracionistas de boteco

Depois da vitória do Brasil contra a Espanha no último domingo, surgiram vários chatos dizendo que o jogo foi comprado – sem contar os acéfalos que falaram que gostar de futebol é ignorância, os quais, inclusive, geralmente são os mesmos que denominam o Bolsa Família como “pão” e o futebol como “circo”.

Para piorar, também apareceram teorias da conspiração referindo que o jogo foi o que foi para frustrar a onda de protestos que varre o Brasil – tese defendida pelos sujeitos que pregaram, algumas semanas atrás, a possibilidade da Dilma cancelar a internet no país para evitar novas manifestações.

Para esse pessoal, só um recado: vão dormir, já que pedir pra esse povo estudar seria um pouquinho demais.

 

“Dois legumes”

O Facebook e o Twitter gradativamente voltam ao normal depois de semanas infestados por cientistas políticos sazonais. Alguns sobraram, obviamente – mas o fato é que a grande maioria retornou à Terra dos Teletubbies.

Não sei se comemoro ou fico triste. Afinal, quanto menos discussão houver, mais fundamentalistas surgirão. Por outro lado, quanto mais discussão existir, mais achismos se propagarão.

Explico.

Se a ausência de discussões traz à tona fanatismos, a insistência em discussões traz à tona achismos. Tanto o fanatismo quanto o achismo são prejudiciais. Falo o que falo porque se tratam de irmãos siameses, frutos da falta de embasamento discursivo, senso crítico/reflexivo e, por vezes, de puro “simancol”.

À parte isso, meu temor com relação aos reflexos que esse junho de 2013 terá no futuro é de fácil compreensão. Corremos o risco de recairmos em uma “democracia degenerada”, a qual, na concepção aristotélica, condiz com um regime político que detém como estandarte o populismo.

O perigo, nesse sentido, é passarmos por cima da Constituição em prol de uma “vontade de mudança total” e com base em um nacionalismo tacanho. A sequela, no pior dos casos, seria a quebra do Estado de Direito – embora considere essa hipótese extremamente improvável.

Talvez o eco das manifestações encontre norte em uma nova forma de se pensar e se fazer a democracia brasileira, mais direta e menos representativa. Por enquanto, contudo, toda e qualquer análise não conseguirá ultrapassar a fronteira das conjecturas.

Como dizia um amigo, trata-se de “uma faca de dois legumes” – e seja da forma que for, a gente continuará lascado.

 

Imbecilidade global

Essa história de boicotar totalmente a Rede Globo é tão ou mais imbecil que viver nutrindo neurônios apenas a partir da programação da Globo.

O problema jamais será assistir a um canal X ou Y, ler um jornal Z ou W.

O problema, pelo contrário, é formar ideias e opiniões atentando para um único lado da moeda – sem qualquer análise embasada acerca da informação com a qual se toma contato.

Quem não percebe isso, ou é otário ou simplesmente não sabe o que está falando – levando-se também em conta o esquecimento congênito com relação à existência do controle remoto, o qual sempre proporciona a possibilidade de mudança de canal ou o simples desligamento da tevê.