Costume boçal, nacionalismo perigoso, cientistas sazonais, bodes profetas e “direito de guerrilha”

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 Costume boçal
A gente está tão acostumado a enxergar sacanagens com o interesse público e egoísmo na atitude das pessoas, que acha que todo e qualquer partido ou político não presta e que toda a atitude individual que se destaca pretende apenas a autopromoção.
A gente está tão acostumado a ser capacho dos poderosos e a obedecer quieto a tudo o que nos dizem, que acha que o mínimo de ordem é prejudicial e que a imprensa sempre é a vilã, como se vivêssemos em um mundo que transpira os escombros do Muro de Berlim.
A gente está tão acostumado a criticar o governo e não buscar informações sobre as coisas que fala e defende, que acha que uma simples mudança de líderes resolveria o problema ou que a completa ausência de líderes é a solução.
A gente está tão acostumado a não viver a democracia, que quando ela finalmente aparece fica criando problemas e alimentando discussões e atos que promovem mais desunião que união, pensando que o mundo mudará do dia para a noite e que a história é algo que funciona por meio de datas e não através de um lento e tortuoso desenvolvimento.
Resumindo, a gente está tão acostumado a ser ridículo que simplesmente não sabe ser cidadão.

Nacionalismo perigoso
O apartidarismo leva ao nacionalismo.
O nacionalismo leva ao “amor à pátria”.
O “amor à pátria” leva ao discurso de ordem.
Desse ponto em diante, são dois toques para surgir uma tendência totalitarista – embora também seja possível que esse receio seja totalmente infundado.
Seja da forma que for, tomemos cuidado e não esqueçamos que o próprio apartidarismo consiste em um partidarismo disfarçado.

Cientistas sazonais
Daí surgem caras querendo “voto livre” e “candidatos sem partido” no Brasil.
Vocês já pensaram que o “voto livre” apenas faria crescer o clientelismo no país e que defender “candidatos sem partido” é o mesmo que acreditar na velha lógica latino-americana do “salvador da pátria”?
Cientistas políticos sazonais: menos achismo e mais estudo, por favor.

Bodes profetas
Quem acha que idade é sinônimo de sabedoria, normalmente está enganado.
Como disse Oscar Wilde, por exemplo, “experiência é o nome que damos para os nossos erros” – e como polvilhou algum engraçadinho, certamente inspirado em Erasmo de Rotterdam, “se barba fosse sabedoria, os bodes seriam profetas”.
Estou com aquele cara da Escolinha do Professor Raimundo:
– Não me venham com churumelas!

“Direito de guerrilha”
O Marco Feliciano (PSC-SP) é um psicopata. Não tenho dúvidas disso.
Mas esses dias, em um evento religioso realizado no Rio Grande do Sul, esse indivíduo referiu que pretende chegar à Presidência da República.
Só digo uma coisa: caso isso venha a acontecer, pegarei em armas e criarei uma nova categoria jurídica: o “direito de guerrilha”, instituto jurídico-político totalmente inspirado no “direito de revolução”.
Para um homem em plena sanidade mental, seria a única atitude digna – convenhamos.