Democracia, sondas alienígenas, filmes pornôs e preguiça reacionária

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Democracia
A democracia é mais que um regime de governo. É um estado de espírito.

Sua maximização na forma de uma hipotética “Constituição”, deveria contar com o seguinte dispositivo de cunho legal, ético, moral e metafórico: “Todos tem o direito de ir para o inferno, revogando-se quaisquer disposições em contrário desde que o indivíduo tenha plenas possibilidades de desenvolvimento existencial”.

Sem esse horizonte libertário, necessário tanto do ponto de vista individual quanto do ponto de vista coletivo, as possibilidades do futuro da democracia jamais se inscreverão nas dobras do seu presente.

Sondas alienígenas

Existe uma teoria conspiratória que fala que as canetas Bic são sondas alienígenas. Duvidam? Procurem no Google. Não é invenção minha.

Os abilolados conspiracionistas defendem que o bichinho da logo da Bic é um ET e que a caneta por trás dele é a comprovação de que os ETs escondem algo e estão no comando de tudo. Até aí, beleza.

Mas me diz: qual a diferença entre quem acredita nisso e quem acredita em outras coisas e/ou eventos absolutamente improváveis? A resposta é: nenhuma.

Vamos com calma, rapaziada. Como Carl Sagan dizia, afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias. E ponto.

Filmes pornôs

Adolescente (ou pré-adolescente) assiste a um filme pornô na web.

Entre “ais”, “uis” e gemidos, por inexperiência pensa que assim se deve agir durante o sexo.

Acredita que rostos excessivamente maquiados e corpos soberbamente malhados são normais, corriqueiros, assim como toda e qualquer performance sexual “cavalar” é algo cotidiano.

Quando chega “nos finalmentes” com alguém, não sabe como agir e procura imitar seus heróis do pornô, encarando seu/sua parceiro/parceira como um/uma comparsa de filme.

Trata-se de uma desconexão afetiva construída sobre máscaras que de reais só tem suas funções biológicas.

Sintoma da coisificação, dos vetores consumistas no prado sentimental?

É de se pensar. Ou não.

Preguiça reacionária

Concordo que a atuação das organizações de direitos humanos ganha relevo em casos de excessos cometidos pelo Estado.

Mas isso não justifica a proeminência de falas desconexas, absurdas, ignorantes, reacionárias e completamente inconsistentes acerca dos direitos humanos.

Antes de dizer que os “direitos humanos são o câncer do Brasil”, o indivíduo deveria, em um primeiro momento, saber o mínimo acerca do assunto sobre o qual discorre.

Mas aí aparece a preguiça.

Mas aí despontam popozudas na TV.

Mas aí surge um jogo decisivo do seu time do coração.

Mas aí estreia no cinema aquele novo filme de ação.

O resultado é que na cerveja pós-trabalho, o cidadão permanecerá proferindo asneiras atrás de asneiras, tentando negar a violência a partir da afirmação da violência em uma tentativa infundada de estabelecer a paz.

A conclusão? Pelo menos na minha percepção, um sentimento profundo de vergonha alheia mesclado com preocupação com relação às frases que muitas vezes ouço e leio, provindas de sujeitos que se autodenominam “humanos direitos”.