Educação?

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Quando você fala demais uma coisa, ela perde seu valor: as palavras se significado por conta do costume da repetição.
Como se percebe?
Quando você diz “eu te amo”, por exemplo, após qualquer ligação da pessoa com a qual você tem um relacionamento, aquelas palavras, inicialmente sinceras, prenhes de carinho e sentimento, acabam se tornando um simples cumprimento, nada mais que um aceno de mão.
É exatamente isso o que vejo acontecer com a palavra“educação”.
Todos dizem “que precisamos de educação” – é comum você ouvir cidadãos falando que “necessitamos de mais escolas e não presídios”, mesmo que a sanha punitivista, em dadas proporções, tome conta do pensamento brasileiro.
Até mesmo a Presidenta Dilma Rousseff lançou o bordão “Pátria Educadora” – embora o Brasil ocupe a 60ª posição em recente ranking da educação que analisou 76 países (e milhares de professores se encontrem em greve na busca por melhores salários e condições de trabalho em toda a extensão do território nacional).
Todos, enfim, bradam que a educação se trata de algo primordial, essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade, de maneira que poderia equivaler os pontos de partida social – como é de se esperar de um Estado Social efetivo e não apenas formal.
Mas as pessoas falam tanto dessa suposta preocupação que ela se tornou um completo lugar comum sem força cotidiana afora o simples hábito – do contrário, como explicar a ignorância raivosa, fanática e absolutamente tacanha que permeia esse país quanto aos mais diversos temas?
Além disso, quando alguém fala de educação no Brasil, geralmente diz da escola ou da universidade.
Mas cadê o compromisso com o desenvolvimento intelectual daqueles que nos são próximos e mesmo com o desenvolvimento intelectual próprio?
Se pais não incentivam a disciplina e a educação dos filhos, a escola pouco poderá fazer.
Se universitários pensam que somente um curso superior irá transformá-los, a universidade será um pequeno filete quase imperceptível na sua formação.
Nenhuma instituição, é de se reconhecer e se sublinhar, pode fazer milagres.
Essa mania de sempre direcionar a responsabilidade pela educação para agentes exteriores, coloca em suspensão a responsabilidade das pessoas com a própria educação.
É a replicação da velha máxima de que o culpado sempre é o outro, nunca eu – não preciso ler, assistir a filmes interessantes, buscar conhecimento que preste na internet porque, afinal das contas, a responsabilidade disso é da escola ou da universidade.
O que isso denuncia?
Duas coisas: por um lado, descaso; por outro, preguiça.
O clássico “tirar o corpo fora” para não deixar o seu na reta – porque é muito mais confortável para deitar a cabeça no travesseiro sem qualquer respingo de peso na consciência.
Enquanto visualizarmos a educação a partir desse quadro, pouco ou nada adiantará o esforço de professores e instituições ou mesmo o mirrado esforço do Estado para que essa palavra, a educação, possa ter algum significado real na vida das pessoas.