Egoísmo, massa humana e trollagem

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Egoísmo
Somos egoístas.
No trânsito, o que vale é chegarmos mais rápido.
No supermercado, não dá nada fechar com o carrinho o corredor entre as gôndolas.
Na sala de aula, achamos que temos o direito de chegarmos atrasados ou sair no meio da exposição do professor sem qualquer razão aparente, mesmo que isso prejudique os colegas.
Quando se trata de um assunto político, apenas sentamos a ripa neste e naquele sujeito, pouco importando a qualidade do nosso voto e mesmo aquilo que fazemos para auxiliar no desenvolvimento da cidade e do país no qual residimos.
Mas pensando bem, quem sabe não sejamos egoístas: talvez sejamos simplesmente otários, vendendo nossas horas de vida por parcelas que chamamos de “salário”, não atentando ao fato de que o outro, aquele com quem cruzamos na rua, não é necessariamente uma ameaça, mas uma possibilidade, e pouco enxergando ou simplesmente não querendo enxergar nossa imensurável fatia de responsabilidade pelo pandemônio desse mundo de hoje.
É isso: otários que sempre dizem que a culpa não é sua e seguem vidas de jumento pensando que estão abalando.
Triste.

Massa humana
“Tu te tornas aquilo que contemplas” – diz uma frase que algumas páginas que encontrei no Google atribuem a João Paulo II.
Se partirmos do pressuposto de que por “contemplar” se pode entender o que o sujeito lê, ouve e assiste, por exemplo, podemos rapidamente concluir que metade da humanidade (ou mais) é imbecil, não passou da puberdade em termos estéticos e intelectuais e sofre de sério déficit de atenção.
As comprovações se encontram aí, bem na sua frente, espalhadas nas postagens do seu feed de notícias do Facebook – ou expostas aos seus olhos e tímpanos pelas ruas, lojas, repartições públicas, praças, salas de TV, casas noturnas e demais receptáculos sociais dessa massa humana espalhada pelo planeta.

Trollagem
Meu cérebro é perito em me trollar musicalmente.
Primeiro, cantarola incessantemente: “ma ma ma / ma ma maria / ma ma ma / ma ma maria”.
Assim que consigo me livrar dessa gosmenta melodia, tasca uma das antigas, daquele tipo que você só sabe um trecho e fica repetindo ad infinitum a tal passagem: “de que me adianta viver na cidade / se a felicidade não me acompanhar”.
Após algumas doses de Rage Against The Machine e Pantera, o céu dos neurônios se acalma. Mas não por muito tempo. Razão?
Eis que a coisa fica pior: “pau que nasce torto / nunca se endireita / menina que requebra / mãe pega na cabeça”.
Depois ainda chamam nossa espécie de homo sapiens.
Sacanagem.