Eleições, cinco reais, questão fechada e hombridade

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Eleições
Quando a musiquinha trouxer emoções,
e os caras pensarem que somos bobões,
vendidos, comprados, uns grandes cagões,
que beijam suas mãos e aceitam tostões,
que esquecem de tudo, tem uns apagões,
que ostentam bandeiras, seguram brasões,
para sustentar alguns poucos ladrões,
que bradam promessas, de PIB, ilusões,
e de vidros fechados viajam em carrões,
estaremos vivendo tempo de eleições.

Cinco reais
Está bacana essa corrida eleitoral, tanto é que causos sobre candidatos e mais candidatos chegam sempre aos meus ouvidos. Diz que existe um sujeito que carrega um maço de notas de cinco reais no bolso e, quando cumprimenta qualquer um, passa a notinha assim, de boa na lagoa. Falam que os caras, aqueles que recebem o dinheirinho, só faltam se ajoelhar na frente do camarada em questão.
Pode um troço desses? Depois o povo ainda reclama.

Questão fechada
Sobre a administração pública da sua cidade, assinale a alternativa correta:
A) Administração? Mas isso é coisa de empresa, não de prefeitura!
B) Sei que tem prefeitura. Do prefeito e seus secretários, não faço ideia.
C) Cidade? Esqueci o que é isso. Só conheço minha casa e meu trabalho.
D) Que existe “administração”, existe. Mas “ser pública”, já é outra coisa.
E) Todas as alternativas estão corretas.

Hombridade
Em 2010, o Brasil tinha 1.240 faculdades de Direito. O restante do planeta, 1.100. Ainda assim, nosso Estado de Direito é pífio, nossa democracia engatinha e as coisas simplesmente não funcionam como deveriam por aqui. Será que nós, pessoas do Direito, não estamos nos preocupando demais com Exames da OAB, concursos públicos, mesquinharias acadêmicas e o escambau – enquanto esquecemos o papel transformador que o Direito deve(ria) exercer na sociedade?
Sim: temos uma grande parcela de responsabilidade pelas tragédias diárias que presenciamos nesse país. Se continuarmos encarando o Direito apenas como um instrumento para algum parco sucesso profissional, achando que a treta toda se resume a códigos e “manuais-lei-seca”, não teremos a mínima hombridade para reclamar dos rumos que as coisas estão tomando cá por esses lados.