Estado Social, compreensão, felicidade e fraternidade

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Estado Social
A dívida ativa da União, que é quanto a União tem a receber em créditos de natureza tributária e não-tributária, chegou a R$ 1,58 trilhão em dezembro de 2015. Já a arrecadação, no mesmo ano, foi de R$ 1,274 trilhão, número atualizado pela inflação e pelo IPCA. Por outro lado, a dívida pública brasileira, que é a dívida contraída pelo Tesouro para cobrir déficits e refinanciar a própria dívida, em março de 2016, estava em R$ 2,88 trilhões – fechando o ano, provavelmente, entre R$ 3,1 e 3,3 trilhões.

A pergunta que deixo, por não ser da área econômica, é a seguinte: se a dívida ativa da União não fosse tão alta e se a dívida pública brasileira não rendesse tantos dividendos aos investidores, dividendos estes que são pagos com dinheiro público (e que, em 2016, irão superar a arrecadação de 2015), haveria a necessidade de se cogitar o ataque aos poucos direitos sociais devidamente materializados que ainda temos?

Reparem, aliás: costumeiramente, quando há uma crise econômica, os direitos sociais (saúde, educação, previdência, trabalho, etc.) são atacados e o Direito Penal surge para aparentemente resolver os problemas da sociedade – em uma tentativa de substituir o pouco que temos de Estado Social por um Estado Penal tradicionalmente seletivo em relação à sua clientela (e que já está parcialmente instalado no Brasil há muitos anos).

Compreensão
É preciso sempre se colocar no lugar do outro. É necessário sempre buscar essa empatia mínima e compreensiva, distanciando-se um tanto desse narcisismo sem fim replicado cotidianamente, o qual exala egoísmo para todos os lados. Mais ainda, é fundamental entender o circuito social e subjetivo que faz o outro agir do modo que age.

Talvez assim sejamos menos maniqueístas e menos moralistas nos nossos posicionamentos.
O mundo vai muito além das fronteiras dos nossos umbigos.

Felicidade
Já notaram que normalmente as pessoas se sentem felizes quando roubam a felicidade umas das outras? Ao que tudo indica, não gostamos de ver os outros bem: encaramos a existência a partir da lógica da competição.

Deve ser um modo de aliviar a miséria da nossa vida – e, ao menos momentaneamente, crer que a grama do nosso quintal é mais verde que a do vizinho.

Dentro de nós, existem pequenos sádicos que se alimentam da dor e do sofrimento alheios.

Fraternidade
Talvez seja a hora de pararmos de brigar de forma desenfreada para buscarmos pontos de concordância e não de discordância.

Talvez seja a hora de ouvirmos o que o outro tem a dizer e de fato conversarmos de modo racional, civilizado, sensato, embasado e aberto, sem dogmatismos ou reducionismos, sempre tendo por bússola a democracia e os direitos humanos, como não canso de repetir.

Existem mais fatores que nos igualam que fatores que nos diferenciam: tenham certeza.

Precisamos dessa consciência em todos os aspectos.

Alguma fraternidade deve ser possível.