Frota, Mendes, MBL e Dilma

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Frota
Quando li, pensei que era mentira o troço do Frota no MEC. Ri – e muito. Depois que vi que era verdade, ri mais ainda – e pra caramba. Mas na sequência, caiu a ficha. A grande ficha mortal. Aquela ficha que te diz: cara, eles não tão nem aí pra educação. Tu é professor há nove anos. Tu te mata de trabalhar. Tu estuda. Tu te prepara. Mas eles não tão nem aí. Podem chegar dois bobalhões (um, astro global decadente e ator pornô; outro, dono de um site reaça que vive de capslock) direto no Ministro da Educação e falar: olha, é assim que tem que ser. Tu, professor, que te lasque. O que é isso, minha gente? Que governo é esse? O que é esse DEM no MEC? Só rindo pra aguentar – mas um riso ressentido por fazer parte de uma classe que todos dizem que tem valor, que todos dizem que é importante, mas para a qual, na verdade, ninguém liga. Não vivem o dia a dia do professor e querem ficar ditando regra. Não sabem o que é ser professor e ficam te sentando a ripa. Não sabem o que é educação e querem falar de educação. O poço realmente não tem fundo. Mas continuarei rindo. Dessa vez, porém, de vergonha disso que está acontecendo nesse país.

Mendes
Gilmar Mendes, aquele mesmo que é acusado de sonegação fiscal, de ter viajado em aviões cedidos pelo ex-senador Demóstenes Torres, de intervir em julgamentos em favor de José Serra, de nepotismo, de testemunho falso, suspeito de ter recebido propina do Mensalão Tucano e que não vê tentativa de obstrução da justiça no áudio de Jucá, será o responsável por presidir a Turma do STF que irá avaliar os recursos da Lava-Jato. Tirem suas próprias conclusões.

MBL
Desde que as manifestações de massa iniciaram no Brasil no ano de 2013, falo que não existe essa coisa de “sem partido”, de “meu partido é meu país” e tudo o mais: é pura balela, pois sempre há um interesse ideológico político-partidário por trás de toda e qualquer movimentação do gênero. Pois bem: outra evidência de que estou certo apareceu essa semana. O MBL (Movimento Brasil Livre), um dos mais ativos na causa pró-impeachment, foi financiado por partidos como PMDB, PSDB, DEM e SD.

Dilma
Vamos lá. No segundo turno das eleições de 2014, houveram 112.683.879 votos apurados, sendo que, desse total, foram 105.542.273 votos válidos (93,66%), 1.921.819 votos brancos (1,71%), 5.279.787 votos nulos (4,63%) e 30.137.479 abstenções (21,10%). Aécio (PSDB) contou com 51.041.155 votos (48,83%) e Dilma (PT) contou com 54.501.118 votos (51,64%). Mas outro dado deve ser levado em consideração: a soma de brancos, nulos e abstenções é 37.339.085 (27,44%). Isso quer dizer que levando em conta o total de eleitores, Dilma (PT) ficou com +/- 38% dos votos e Aécio (PSDB) ficou com +/- 35,73% dos votos. O que isso significa? Crise. Explico. Todo líder político/institucional precisa de três qualidades para conseguir liderar: autoridade (atribuição legal e responsabilidade), poder (capacidade de fazer e poder fazer) e legitimidade (autoridade + poder + apoio popular). Como nenhum dos candidatos contou com ao menos 50% dos votos do total do eleitorado nacional, o eleito mergulhou na mais tenebrosa das crises de representatividade: a crise de legitimidade. Some a isso a Operação Lava-Jato, a epidemia de Zika, a tentativa de nomear Lula para a Casa Civil, a delação de Delcídio Amaral, a crise econômica e os descalabros administrativos do Governo Dilma, que chegaremos nesse tumultuado maio de 2016 – porque a autoridade da Presidente foi contestada (pela denúncia apresentada em 2015 pedindo a abertura do processo de impeachment e sua posterior aceitação pela Câmara e pelo Senado), o poder da Presidente foi diminuído (pela perda da maioria no Congresso e pelo desembarque do PMDB do Governo) e a legitimidade da Presidente entrou em decadência (pelas manifestações populares, pela crise econômica e pela mídia negativa), proporcionando o agravamento da crise de legitimidade provinda das eleições de 2014. Se o eleito fosse Aécio, cenário semelhante poderia ter se desenhado.Enfim: o jogo já estava definido há muito tempo, faltando somente alguns elementos que posteriormente se fizeram presentes e confirmaram o resultado.