Lógica e Copa

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Lógica I
A prova lógica do que muitos bradam por aí é um primor de racionalidade:

– Se assassinos devem ser assassinados, assassinos de assassinos, que são assassinos, também devem ser assassinados. Se assassinos de assassinos de assassinos são assassinos, assassinos de assassinos de assassinos igualmente devem ser assassinados. Mas se assassinos de assassinos de assassinos não aceitam ser assassinados, assassinos de assassinos de assassinos devem se suicidar.

No final dessa esquizofrenia toda, o que sobra? Bomba nuclear?

Ou será que a regra, como sempre, não valerá para todos?

Lógica II
Numa escola estadual do interior do Rio Grande do Sul, em determinada cidade que não citarei, os planos de ensino de Filosofia e Sociologia falam no estudo de “Eram os deuses astronautas”, obra do bobão do Erich von Däniken (aquele cara que diz que “tudo é culpa dos aliens”, tipo o magrão do History Channel). Já o plano de ensino de Língua Inglesa, trata de obras “DO Tarsila do Amaral” (sic ad infinitum), sendo que “A” Tarsila do Amaral não foi escritora, mas desenhista e pintora – e ainda por cima brasileira.

Depois as criaturas entendem inglês que nem o Joel Santana e pensam o mundo tal qual a Geisy Arruda e a gente não sabe a razão.
Entenda uma coisa dessas.

Copa I
Não bastasse a Copa trazer consigo um caráter questionável, tipo persona non grata, a Brahma lança uma campanha para que o Dia dos Namorados seja “transferido” para 11 e não 12 de junho – em virtude da abertura dos jogos.

Convenhamos: muita falta de criatividade – sem contar que, em se tratando de mídias, vivemos em dois mundos: se por um lado você liga a tevê e apenas enxerga um “movimento publicitário pró-Copa”, por outro navega na web e nota um contrapeso imenso contra a Copa. Daí é que faz mais sentido aquele evento que criaram nas plagas do Facebook: “Vai ter cópula”.

De minha parte, a tendência é clara: mil cópulas e pouca Copa.
Para completar, resta dizer o óbvio: para quem ama, Dia dos Namorados é todo o dia – e não apenas uma data em meados de junho.

Copa II
Estava assistindo ao clipe da tal música da Copa. “We are one”, seu nome. Cláudia Leite, Pitbull e Jennifer Lopez tentam construir um simulacro de “Wakawaka” da Shakira. Cara, não chegam nem no calo do dedão do pé do Mano Lima. Triste de ver. Passaremos vergonha TAMBÉM por isso.

Mas fico apreensivo em prever que, como a Dilma disse, “quando a onça beber água, esse país vai pegar fogo”. Pão e circo em nível internacional. Coronelismo globalizado. Business de senzala. Primeiro na África do Sul – depois aqui. “Aquietem-se, mulambos!” – eis o recado.

Contentemo-nos com ceva transgênica e gols mirrados enquanto os outros riem da nossa cara e a gente não tem vergonha na cara.
P.S.: Todos os butiás já caíram do meu bolso.