Pior

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Pior que Papai Noel, só Papai Noel torrando ao sol tropical dando balas Banzé para criançada com uma assustadora máscara de plástico na cara.

Pior que Especial do Roberto Carlos, só o dueto do “Rei” (sic) com a Anitta ou o Carlinhos Brown que nem uma rã ninfomaníaca pedindo água mineral no The Voice Brasil.

Pior que estradas lotadas, só os buracos que comportam o plantio de bananeiras e motoristas camionetudos que acham que podem tudo e tem dez centímetros de aumento peniano a cada ultrapassagem.

Pior que chester e carne de porco, só lentilha requentada por quatro dias nos primeiros almoços do novo ano ou calcinhas vermelhas em plena virada para “trazer paixão” ou simplesmente desencalhar.

Pior que amigo secreto, só você ganhar uma “lembrancinha” na forma de caixa de bombom da Nestlé de uma madrinha que nunca vê e sempre pergunta se você está solteiro ou casado.

Pior que porre de champagne, só trago de sidra de maçã misturada com Skol quente que derrete suas esperanças por um futuro melhor enquanto você queima o lombo no sol porque usou um protetor solar fator cinco.

Pior que assistir a retrospectiva 2013, só você perceber que todos os anos dramas são feitos em torno de nascimentos de bichinhos em zoológicos ou imagens engraçadas de gatos no YouTube.

Pior que suar feito porco nesse dezembrão, só ler o rótulo dos desodorantes e visualizar um nefasto “48 horas de proteção” seguido da belíssima imagem de uma pizza de suor emoldurando seu suvaco.

Pior que listinhas de fim de ano, só você saber que sujeito X ou Y, embora fale e fale, sempre figurará como uma “eterna promessa” que nem o cara que ganha o Ídolos e é esquecido em dois toques até pelo seu vizinho.

Pior que cartões de boas festas que você recebe pelo correio, só aquelas assinaturas impressas dos proprietários das empresas que você confunde com caneta de tinta molhada e acaba pensando que são reais.

Pior que Missa do Galo, só gente que acha que Iemanjá gosta de viver no lixão da Avenida Brasil e emporcalha toda a praia com oferendas que mais parecem saídas diretamente de um mix de lixo úmido proveniente das comilanças de final de ano.

Pior que cachorros que se escondem dos fogos, só aquele clima estranho do dia 1º de janeiro que coloca você em uma espécie de limbo dos calendários que apenas terminará quando do fim do Carnaval.

Pior que luzinhas coloridas com quês de brega extremo, só aquelas vós preocupadas porque não tiraram a árvore de natal da sala no Dia de Reis e acham que isso pode trazer má sorte para o ano que inicia.

Mas pior que tudo isso junto e misturado, é e sempre será a Simone e sua irritante voz de gata engasgada cantando “Então é Natal”, como nunca me cansarei de falar.

Mesmo assim, meu ótimo humor embalado pelo gosto da Polar que não sentia há cinco meses e que me acompanhará até a metade de janeiro, faz com que eu deseje um feliz e fraterno 2014 a todos os meus leitores do Jornal das Missões.