Povo manso, “feminicídio” e cientistas

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Povo manso
“Cada povo tem o novo que merece”, canta Nei Lisboa.
O “novo” brasileiro, enquanto formos covardes, enquanto tivermos o rabo preso, enquanto formos apáticos, enquanto nos preocuparmos apenas com nossos umbigos e jardins, será sempre essa curra coletiva promovida por uma corja que há séculos se apossou da coisa pública e a manipula para atender a seus interesses privados.
O cálculo é simples e as soluções difíceis, visto que povo manso é e sempre será boi de canga e nada mais.
Querem o quê?!
Continuar com essa queridice toda que nada mais é do que babaquice?!
Por isso é que, de uns dias pra cá, estou extremamente desconfiado de que os Black Bloc’s estão certos.
Enche o saco essa mania de dizer que o voto é a única expressão da cidadania e de perpetuar uma republiqueta de macacos ansiosos por bananas.
Talvez, para que as coisas se movimentem, seja necessária alguma espécie de violência – porque, convenhamos, a culpa é sua, minha e de todos, absolutamente todos.

“Feminicídio”
As legislações são elaboradas com base em estereótipos humanos. O direito de ir e vir, por exemplo, pressupõe que você tenha dois braços e duas pernas – e possa, enfim, locomover-se.
Os remendos legais elaborados na tentativa de superar esse quadro são medidas paliativas – partem da premissa de que determinado assunto, quando legislado, está resolvido.
Resumindo: em termos de inteligência legislativa e boa vontade no campo das políticas públicas, ainda estamos no tempo do “uga uga buga buga”.
Por isso é que incluir o crime de “feminicídio” no Código Penal é conversa para inglês ouvir.
Se se efetivar essa inclusão, haverá comemoração e tudo o mais – mas os efeitos práticos, é de se reconhecer, serão exíguos.
Precisamos abandonar a “cultura do carimbo” – a qual parte de ideia de que a mera chancela estatal com relação a qualquer temática dá suficiente efetividade à mesma.
Caso não o fizermos, pouco ou nada mudará.

Cientistas
Numa semana, você recebe um e-mail falando de um “Congresso de Direito de Família” em um navio.
Noutra semana, recebe outro e-mail falando de uma “Conferência de Direito Contemporâneo” em uma praia do litoral carioca.
Tanto em um quanto em outro “comunicado”, o que mais vale é o “fator turístico” que quaisquer qualidades científicas e/ou acadêmicas dos encontros.
Somando esse fato ao número colossal de publicações/revistas científicas sem o menor valor, você se pergunta: será que o planeta realmente atravessa um “boom científico” ou tudo não passa de pura e absoluta picaretagem, chancelada pela cobrança de produtividade (na maioria das vezes sem atinar para a qualidade) que órgãos como a CAPES e o CNPQ martelam sem cessar?