Preguiçosos e Quarta-feira de Cinzas

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Preguiçosos
Não consigo entender como ainda existe gente ignorante com relação ao que acontece no Brasil e no mundo, já que o conhecimento de tais conjunturas constitui o mínimo para uma vida republicana e democrática.
É inconcebível que diante de tantas possibilidades de acesso à informação, exista uma maioria de indivíduos completamente alienada, pensando que o mundo acaba na fronteira da janela do seu quarto e olhe lá.
Além disso ser tremendamente irritante, é absurdamente desolador com relação ao cenário que o futuro nos reserva.
Claro que múltiplos fatores compactuam para a construção dessa patuleia amorfa, mas como pode o sujeito apenas saber das fofocas da sua cidade, dos relacionamentos dos seus amigos e não ter a mínima noção acerca dos grandes temas que povoam a contemporaneidade, sendo que, geralmente, detêm plena capacidade de se inteirar dos mesmos e compreendê-los?
Podem colocar a culpa na escola, na família, nas redes de televisão ou no que quer seja, mas acho que o principal pano de fundo é a preguiça – uma preguiça egocêntrica e erguida por sobre selfies e vídeos idiotas no WhatsApp.
Se nossas capacidades intelectual, inventiva e linguística constituem as qualidades básicas que nos distinguem de outros animais, por que não desenvolvê-las para padecer de um marasmo neuronal alimentado por ideologias, religiões, show business de quinta categoria e troços do gênero?
Não dá, simplesmente não dá.

Quarta-feira de Cinzas
Conheço pessoas de todo o Brasil e que moram em diferentes regiões desse país gigante.
De uns tempos pra cá, todas, absolutamente, sem exceção, falam do descaso dos serviços públicos municipais.
É buraco na rua, é hospital sem condições de atendimento, é educação pauperizada e mais montões de coisas que não tenho como enumerar.
Entretanto, tais cidades, por iniciativa de suas prefeituras, geralmente promovem carnavais.
Seguranças particulares contratados, bandas caríssimas pagas com o dinheiro público, limpeza, iluminação, decoração e todo o combo que acompanha uma festa desse calibre.
Confesso que não entendo muito de distribuição de verbas públicas, mas dói ver uma baita grana gasta com troços do gênero enquanto o restante é esquecido, relegado ao “estamos em obras” ou “estamos elaborando um projeto nesse sentido”.
Óbvio que alguns reclamam, falam que é dinheiro jogado fora e tal.
Mas a maioria apenas entra na onda da folia e pula como se não houvesse amanhã.
De boa, gente, sem querer ser reacionário nem nada: queria que todas as prefeituras desse país utilizassem o montante gasto em carnavais na melhoria real das suas cidades, porque do jeito que a coisa anda o que temos é uma pequena corja oligarca no trono das prefeituras e uma grande corja grudenta e acéfala achando que tudo está OK do jeito que está.
Mas a muriçoca soca, né?
Então beleza, campeão: em 2016, lembra do carnaval memorável e vota nos mesmos sanguessugas de sempre.