Que tal?

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Sempre quando há eleições municipais, os relatos se repetem em todo o Brasil.

Candidato em campanha chega na casa de alguém e tenta conversar sobre as suas propostas. O cidadão, antes mesmo do candidato terminar, pergunta: “mas o que eu ganho votando no senhor?; Fulano prometeu R$ 100 pelo meu voto”. O que o candidato faz? Sabendo que se não comprar votos aqui e ali, outro irá fazê-lo, acaba entrando na roda – e o sistema, clientelista, coronelista e patrimonialista por excelência, permanece intocado da base ao topo.

Trata-se de uma exceção? Penso que não: no “Brasil profundo”, esse que não passa pelas grandes capitais e é formado por cidades de até 50 mil habitantes, essa é a regra – o candidato corrompe o povo que corrompe o candidato que corrompe o Estado a partir da devoção àqueles que o elegeram (e que, ansiosamente, esperam o seu “pagamento”, seja do modo que for). Ao final das contas, como todos percebemos, a máxima de Joseph de Maistre prospera: “todas as nações têm o governo que merecem”.
Para que essa situação comece a se modificar, principalmente em um ano de gigantescas turbulências políticas nacionais, pensei em cinco sugestões práticas – as quais, obviamente, podem ser complementadas por várias outras.

Segue abaixo, portanto, a minha simples contribuição. 

1.
Que tal, nessas eleições, você repreender seu parente, amigo ou colega de trabalho que irá votar no candidato X ou Y apenas porque ele vai descolar um cargo na prefeitura se o dito candidato for eleito? Não adianta nada criticar as politicagens em Brasília se o sujeito não possui a capacidade de agir de forma honrada e digna na sua própria cidade, convenhamos.

2.
Que tal, nessas eleições, você parar de só falar mal dos candidatos que distribuem cestas básicas na calada da noite ou que andam com maços de dinheiro largando trocados ao deus-dará – e verdadeiramente denunciar esses crimes à Justiça Eleitoral, além de tornar pública, por meio de fotos e vídeos, toda e qualquer falcatrua que de fato presenciar?

3.
Que tal, nessas eleições, questionar veementemente os candidatos a vereador sobre o que eles pensam da questão ambiental em seu município? Se dados de 2014 apontam que apenas 13% dos brasileiros possuem acesso à coleta seletiva de lixo, 41% dos resíduos produzidos pelo país ainda vão para lixões e metade da população brasileira não tem esgoto coletado e tratado, essa preocupação é fundamental e sobretudo urgente – e um candidato que não tenha essa visão não merece ser eleito em hipótese alguma.

4.
Que tal, nessas eleições, além de questionar sobre as propostas dos candidatos a prefeito, você questionar também sobre os nomes que ele pretende indicar para as secretarias municipais caso eleito? Talvez isso force os candidatos na direção de escolhas técnicas e não meramente “politiqueiras” e baseadas na escabrosa troca de favores políticos que tanto prejudica a gestão pública – e que aparece de forma evidente nas nomeações para as secretarias.

5.
Que tal, nessas eleições, você deixar de prestar atenção apenas no nome do candidato e de fato analisar criticamente as suas propostas e o seu caráter plausível diante da situação na qual se encontra o município no qual você reside, independentemente de paixões partidárias e ideológicas? Como todos sabem, de boas intenções e “pop stars de província”, o inferno, caso exista, certamente está cheio – e é sua missão garantir que sua cidade não sofra uma danação de quatro anos com a desculpa de que “no papel tudo parecia funcionar”.