Sete breves considerações sobre nada demais: parte final

0
97

Sabe qual é um dos motivos da existência de uma contemporânea judicialização da política no Brasil, presenciada inclusive em Santo Ângelo? Não sabemos conviver com a democracia e igualmente pouca ideia temos do significado da palavra “cidadania”. Em vez de assumirmos a bronca por efetivas mudanças federais, estaduais e municipais das quais o país necessita, preferimos relegar ao Poder Judiciário o status de derradeira instância moral e ética da sociedade – camuflagem despropositada e perigosa, dando margem ao ativismo judicial.

Grande parte da população brasileira ficaria exultante se chegasse alguém e dissesse:

– Cara, esse é teu chefe, teu líder supremo. Obedece ou o pau come.

Muito mais simples, não é mesmo? Vivamos com isso.

Ou será que queremos fazer diferente?

***

O sonho de meio Brasil é Joaquim Barbosa pra presidente e Luciano Huck pra vice. Enquanto um lida com o relho, outro eleva o “Lar doce lar” ao nível de programa governamental.

É aquela clássica: passa a mão e senta o tapa.

Funciona – a existência do Estado é uma prova disso (o sexo, outra).

***

Teoria: existe uma conspiração pra que as mulheres se mostrem insatisfeitas com seus corpos. Alguns possíveis responsáveis: (a) indústria da moda, (b) indústria do entretenimento, (c) cabeleireiros badaladérrimos e (d) dietas à base de chuchu.

Mas talvez o responsável maior seja o olhar das outras mulheres.

Crueldade pouca é bobagem.

***

Pessoas que utilizam reticências ao final de uma frase “pra dar um ar de suspense”.

Pergunta: nada contra, mas existe coisa mais oitava série?

***

No Brasil, se o cara quiser ganhar algum com livros e palestras, tem que misturar filosofia, administração, marketing, neurociência, física quântica, Teoria dos Sistemas e metáforas zen-budistas, pra sair por aí dando uma de sofistão em conferências país afora.

Sempre e cada vez mais, a enganação é a base da civilidade.

***

Por que todas as operadoras de telefonia utilizam a expressão “quadrado” em vez da expressão “sustenido”? E pior: por que utilizam a expressão “estrela” em vez da expressão “asterisco”?

Complicado.

Talvez isso tenha relação com as traduções abrasileiradas de filmes gringos. Exemplo 1: “Ocean’s Eleven” vira “Onze homens e um segredo”. Exemplo 2: “Ferris Bueller’s Day Off” vira “Curtindo a vida adoidado”.

Parece pré-escola: pra não dizer que todos provêm de um ato sexual, você fala que a “sementinha do papai encontrou a sementinha da mamãe e o bebê nasceu”.

Infantilização é a alma do negócio – políticos e marqueteiros sabem disso há séculos.

***

Gosto musical não define ninguém. Fato.

Mas se somos transformados naquilo que contemplamos, como diz velho provérbio, como falar do sujeito que dá banda uma da tarde com um funk dilacerando os ouvidos dos pedestres? Pura materialização de testosterona?

Mais que isso, o que dizer dessa gurizadinha que anda em bando com o celular berrando versos ao estilo “a mulherada tá louca / subindo na mesa / arrancando a roupa / e nóis doido atrás”? Chamariz (sic) para fêmeas?

O futuro é tenebroso. Não tenho a menor confiança nessa geração que vejo pelas ruas. Ser otário e desprovido de neurônios funcionais parece seu maior objetivo. O gosto musical apenas reflete isso. Não se trata de preconceito: trata-se de constatação.

Conclusão: a globalização se torna evidente pela planetarização da imbecilidade – quanto mais idiota melhor.