A primeira vez

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As primeiras vezes sempre são marcantes. Lembro até hoje do meu primeiro beijo. Minha noiva, Cristiane Aguiar, que a partir do dia 29 de dezembro vai se chamar Cristiane Aguiar Ritter, vai ficar brava comigo, mas enfim, lembro até hoje do meu primeiro beijo (e espero que isso não seja motivo para o “Quem é contrário se manifeste agora ou cale-se para sempre”), enfim, lembro até hoje que foi num carnaval lá nos anos 1990, no Clube Comercial. Eu estava nervoso, ansioso e tudo o mais, mas foi o primeiro de muitos. Depois, mais tarde, houve a primeira vez, o primeiro amor platônico, a primeira decepção, o primeiro porre, a primeira ida ao Olímpico, etc. E, como contei pra vocês, semanas atrás fui pela primeira vez na Arena do Grêmio e vi o primeiro gol da história da Arena… Enfim, como diz o clichê, a primeira vez a gente nunca esquece. E, dias atrás, tive uma primeira vez que nunca vou esquecer. Foi o primeiro “por quê?” da minha filha Larissa, o grande amor da minha vida (minha noiva Cristiane que me desculpe novamente, mas desde que a Lari nasceu, ela tem que dividir o posto de primeiro lugar com a minha princesinha linda).

Tudo aconteceu quando eu estava escovando os dentes e ela veio atrás de mim pedindo: “nenê cova denti papai”. Escovamos nossos dentes. Sempre que vai escovar os dentes, ela busca um banquinho que ganhou da avó Nara para alcançar na pia (pois ela tem 2 anos e um mês) e fica me observando, imitando tudo o que faço. Pois bem, terminamos de escovar os dentes e ela enxergou algo estranho no lado da porta. Na verdade, tratava-se da fechadura. Mas creio que ela nunca tinha observado aquilo, e tanto estranhou que aponto com seu dedinho acusador, exclamando: “um bicho!”. Eu dei risada e respondi tranquilamente: “não é um bicho, meu amor”. Ela, de bate pronto, retrucou: “por que não?”. Tu vês. É praticamente uma pergunta filosófica! Por que diabos aquilo não é um bicho??? Certamente esse foi o primeiro de muitos porquês que ela vai me perguntar ao longo da vida. Por que não posso ir?

Por que não posso ver? Por que não posso falar agora? Por que a fulana pode e eu não? Enfim, enfim, enquanto tiver que dizer o motivo que a fechadura da porta não é bicho está bom….

Tudo tem a primeira vez, a segunda, a terceira… Em 2013, provavelmente teremos o primeiro troféu erguido na Arena… Felizmente, para nós, gremistas, o primeiro gol de um colorado marcado na Arena não foi em um Gre-Nal, e sim em um simples amistoso dos Amigos do Ronaldo contra Amigos do Zidane…

O ano está acabando, mas o mundo não. Como não volto a escrever em 2012, desejo agora um feliz natal e ano novo a todos, gremistas e colorados. Reconheço que no Facebook eu sou um gremista muito chato, mas na verdade antes de ser gremista ou colorado todos nós somos humanos que devemos deixar de lado essa rivalidade besta e sem sentido, que faz com que amigos briguem e desconhecidos se matem… A vida é muito mais que isso. É muito mais que um clube e que o futebol. Nesse ano velei o corpo de um aluno de 24 anos, gremista fanático, e se eu pudesse entregar todos os títulos da história do Grêmio para trazê-lo de volta, eu o faria sem dúvidas. Por isso, leitor, nesse natal e ano novo apenas aproveite o momento. Abrace quem você ama e agradeça a Deus por mais um dia vivido. Aproveite cada primeira vez que você conseguir viver como se fosse a última.

Um feliz Natal a todos.