Comunicação cidadã: derrubando o discurso midiático televisivo

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Nessa semana foi divulgado que o índice de audiência da Rede Globo de Televisão no mês de janeiro foi o pior registrado na história referente a esse período do ano. Tenho dito, muito mais por meio de artigos acadêmicos e afins, que a grande mídia televisa – leia-se os canais abertos de televisão – está andando rapidamente rumo a um buraco negro por não se adaptar à realidade e às novas (nem tão novas assim) formas de comunicação cidadã.

Nos protestos de junho de 2013, por exemplo, comentaristas como Arnaldo Jabor, José Luiz Datena e Rachel Sheherazade provaram isso. Como o pensador francês Pierre Lévy já apontava antes mesmo dos anos 2000, a sociedade territorial já havia passado, naquele tempo, para o ciberespaço e os novos atores sociais já eram, principalmente, os jovens, que na rede não precisavam se submeter às estruturas e instituições que, já nos anos 1990, ele apontava como falidas. Aproximadamente 15 anos depois, veio a prova disso, em solo brasileiro: enquanto os comentaristas das grandes redes de televisão apresentavam uma visão contrária aos protestos, milhões e milhões de pessoas apresentaram um discurso antagônico ao da grande mídia nas redes sociais e nas ruas.

Eis, então, outro ponto importante desse novo cenário: até junho de 2013, acreditava-se que os protestos nasciam na rede, ficavam na rede e se esfacelavam no mundo on-line. Porém, não foi o que aconteceu. E o resultado disso foram os gritos de guerra contra Globo, Record, SBT e Bandeirantes e seus apresentadores e comentaristas. E por que aconteceu isso? Porque nem as emissoras, nem os jornalistas e comentaristas que nelas trabalham (e que parecem viver em uma bolha isolada do mundo) acompanharam o que estava acontecendo nos bairros, nas comunidades virtuais, nos blogs, nos bares, nas fofocas entre vizinhos nas vilas e condomínios. Houve um afastamento do discurso midiático televisivo dos anseios populares e da comunicação cidadã.

E isso mudou, desde junho de 2013? Absolutamente não. Na época, basta pegar os comentários anteriores ao dia 13 de junho: eles condenavam as manifestações. Jabor disse que era uma revolta sem motivo, de playboys e estudantes ignorantes políticos. Teve que pedir desculpas. Datena tomou um olé dos telespectadores, em vídeo que pode ser visto no YouTube, ao ter a sua opinião massacrada por uma enquete. O mesmo aconteceu com os outros. Depois, quando os comentaristas viram que os protestos não eram de meia dúzia de analfabetos políticos, eles tiveram que mudar o seu discurso. Tiveram que adaptar as suas opiniões. O que prova que eram opiniões frágeis e infundadas. Se não fosse assim, eles teriam mantido o mesmo discurso.

E o resultado da baixa audiência da Globo em janeiro apenas confirma isso. As grandes emissoras pensam que a população ainda se deixa engolir goela abaixo qualquer porcaria e baixaria. Claro, ainda há sujeitos pouco dotados de neurônios que assistem a programas como o BBB e Domingão do Faustão. Mas a maioria está dando a resposta com os baixos índices do Ibope. O resultado de tudo isso? Em longo prazo, creio eu, ou as emissoras baixam a bola, ou ainda vão terminar incendiadas fisicamente ou quebradas financeiramente. Pois o povo é burro, mas não tanto quanto elas imaginam.