Entre o céu e o inferno

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Os colorados estão, literalmente, entre o céu e o inferno. Tudo pode começar a se resolver nesse domingo. Caso o Inter perca o Gre-Nal, começará a sentir as chamas ardentes daqueles que estão condenados a um futuro infeliz. Tipo essas pessoas que não tem o que fazer e ao invés de se preocupar com a própria retaguarda ficam agourando os outros (existem bruxas em Santo Ângelo que são assim). Elas não sabem, mas estão com um pé no caldeirão do vermelho guampudo. Já se vencer, ocorre o contrário: estarão a um passo do paraíso, pois, além de ganhar a vaga na final do Gauchão (e praticamente o título, pois o Caxias é muito freguês do Inter) ganhará moral para pegar o Fluminense. Ah, o Fluminense!

Muitos colorados, talvez por pouca experiência em competições onde o gol fora é critério de desempate, talvez por pessimismo crônico, acham que o 0 a 0 no Beira-Rio foi um resultado catastrófico. Tudo bem, não foi lá grande coisa, mas nem tudo está perdido. Lembro de inúmeros exemplos onde não levar gol em casa decidiu na partida de volta. Em 1997 os flamenguistas, e a mídia em geral, deram o Flamengo como campeão da Copa do Brasil depois de um em 0 a 0 com o Grêmio no Olímpico. Eu pensei: “pô, se o Grêmio fizer um gol no Rio, os cariocas terão que fazer dois”. E não é bem assim pra fazer dois gols em uma final de campeonato, bem como não é tão simples assim fazer dois gols em um jogo eliminatório de Libertadores. Ou seja: se alguém tem vantagem no jogo de volta entre Inter e Fluminense, esse alguém é o Inter, que pode empatar em 1 a 1, 2 a 2, 3 a 3, etc. Naquela ocasião o Grêmio saiu ganhando de 1 a 0, gol do João Antonio. O Flamengo foi lá, empatou e virou o placar. Flamengo campeão? Que nada, gol do Grêmio no final e o critério do gol fora de casa decidindo o título. Assim é a vida nesse tipo de competição. Quem não aprendeu isso a essa altura do campeonato morre na praia por ingenuidade.

O Fluminense poderá estar ganhando de 1 a 0 até os 45 do segundo que, se levar um gol, mesmo que o Inter não tenha atacado o jogo inteiro, estará fora. É assim que funciona. É assim que tem graça.

Aliás, nessa semana todas minhas previsões deram certo. Falei exatamente isso antes do jogo entre Barcelona e Chelsea: “o Barcelona pode estar ganhando de 2 a 0, dando um banho de bola, mas se o Chelsea chegar lá uma vez e descontar, o Barça está fora”. Foi mais ou menos isso que aconteceu. E por isso que acertei minha previsão de que os ingleses passariam para a final. O mesmo ocorreu no outro dia: disse que o Bayer passava, e passou. Nos pênaltis, mas passou. Na quarta, também previ: “esse jogo vai dar 0 a 0. O Fluminense vai se fechar, e o Inter, sem D’Alessandro, vai ficar penando no ataque como a alma daqueles que ficam só secando os outros”. E não deu outra. Agora, completo minhas previsões futebolísticas: o Grêmio passará para a final, mas o Inter ressurgirá das cinzas para eliminar o Fluminense num empate em 1 a 1 no Rio.

Caso eu erre, irei me aposentar na minha humilde tentativa de ser vidente futebolístico.

Um bom final de semana a todos.