Espírito olímpico

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Sábado à noite meu pai estava assistindo algo como a TV Senado, quando eu disse que queria ver o jogo da seleção feminina de vôlei contra a Turquia. Ele retrucou que não assistia a jogos de vôlei, basquete, enfim, esses esportes que você só vê nas Olimpíadas de quatro em quatro anos. Eu insisti e ele colocou no vôlei. Ao ver aquelas beldades de pernas de fora, para disfarçar o seu interesse diante de tanta beleza, ele murmurou (pois a minha mãe estava na sala) “vou deixar no jogo, mas eu não vejo graça”. Em silêncio, assistimos a toda a partida, observando as pernas estonteantes das atletas brasileiras (rapaz, e olha que as turcas também não são de se desprezar…).

Eu não sei o nome da maioria das jogadoras (aliás, não sabia de nenhuma antes do jogo contra a Turquia), mas sei que essa é uma das melhores seleções do Brasil de todos os tempos. Está certo, lembro que em 1992, quando eu tinha 11 anos, eu era fascinado pela Ana Mozart (!?) e assistia aos jogos das Olimpíadas de Barcelona torcendo pela minha beldade. Em 1996 e 2000 teve aquela geração que também contava com algumas belezuras como a Ana Paula e a Leila. Já em 2004, se não me engano, ainda jogavam algumas veteranas de 2000, e em 2008 eu praticamente não acompanhei os jogos, pois o troço todo rolou de madrugada. Enfim, o fato é que vendo as pernas da Jaque, com aquele rostinho de modelo e cabelo de Cleópatra, além da Fernandinha e da mulata popuzuda que eu não sei o nome, acho que essa é a melhor seleção feminina de todos os tempos. Aliás, durante a transmissão disseram que a mulher do treinador vai a todos os jogos da seleção pessoalmente. Mas é óbvio! Deixar um homem treinar um time daqueles é como pedir para o lobo cuidar do rebanho! E, para isso, o pastor tem que estar marcando em cima!

Enfim, espetáculos como esse mobilizam o mundo inteiro de quatro em quatro anos. E, apesar da tentativa patética da Globo boicotar as Olimpíadas (praticamente sem dar notícias ou apresentar programas ao vivo de Londres com debates, etc.) os jogos têm graça justamente por isso: é um momento de entretenimento para quem assiste e de muita emoção para quem disputa. É um evento que mobiliza todo o mundo, mesmo com a Globo tentando forçar a barra com UFCs da vida em terra brasuca enquanto todos os países estão respirando Olimpíada.

Aliás, alguém lembra daquela vez, na década de 1980, quando milhares de pessoas foram às ruas em São Paulo para reivindicar as Diretas Já e a Globo entrou ao vivo para dizer que as pessoas estavam na rua para comemorar o aniversário de São Paulo? Ou alguém lembra da pitoresca edição feita no Jornal Nacional do debate entre Lula e Collor? Esses são dois episódios bizarros propiciados pela Globo, que atualmente assume a culpa e se desculpa publicamente por eles. Entretanto, fica a pergunta: é válido pedir desculpas enquanto as cagadas continuam sendo feitas, lançando seu odor podre nas narinas dos brasileiros? Eu não sei a resposta. E, enquanto tiver alguém para mostrar as pernas da Jaque no lugar da Globo, também não me interessa muito. A Globo que fique com suas novelas toscas e com seu público broxa e acéfalo!

Hasta!