Fim de papo

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Não acabou o mês de outubro e todos já sabem quem será o campeão brasileiro de 2012. Esse está sendo o campeonato brasileiro mais chato e sem graça de todos os tempos. Fluminense já é campeão, com seus próprios méritos e algumas ajudinhas da arbitragem, e muito provavelmente as outras três vagas da Libertadores fiquem mesmo com Atlético-MG, Grêmio e São Paulo. O Vasco teoricamente teria chances, mas a tabela das últimas rodadas está mais favorável ao São Paulo, e o atraso dos salários em São Januário literalmente derrubou o time carioca na classificação geral. Ou seja, mesmo que Vasco e São Paulo venham a travar uma disputa pela quarta vaga, ou até mesmo empurrar o Grêmio para fora do G-4, é muito pouca emoção para um campeonato que pretende ser o “o melhor do mundo”. Na verdade é o mais chato do mundo. Para completar, na parte de baixo da tabela só por milagre Atlético-GO, Figueirense, Palmeiras e Sport escapam. Quer dizer, não entramos nem em novembro e está praticamente tudo definido.

Já disse aqui que é de uma burrice tropical sem tamanho querer imitar o formato dos campeonatos europeus. Primeiro: o Brasil é muito maior do que qualquer país da Europa que tenha tradição no futebol, geograficamente falando. Seria mais aconselhável, então, imitar o formato da NBA, já que os Estados Unidos possuem muito mais semelhanças com o Brasil do que países como Inglaterra, Espanha e Itália. Então, para começo de conversa, é absurdo termos um campeonato, em um país do tamanho do Brasil, de apenas 20 clubes.

Segundo, o campeonato por pontos corridos pode até ser o mais justo, mas a justeza muitas vezes é antagônica à emoção. Se tudo fosse justo nessa vida, que graça ela teria? Teríamos um mundo perfeito! Tudo seria absolutamente previsível, exatamente como está sendo o campeonato desse ano. Exatamente da mesma forma que foram os títulos do São Paulo nos primeiros anos de pontos corridos. Imagine você, caro leitor, se o mundo fosse 100% justo e racional. Quais chances teriam os feios de ficarem com as beldades? Qual possibilidade teria um anônimo em ter sucesso na política? Como alguém que na infância não tem o que comer poderia sonhar em ascender social e economicamente? Essas são as premissas do capitalismo: a possibilidade da reversão do que está estabelecido. É o famoso “sonho americano”. Então, por que um time que iniciou mal o campeonato, como um Santos ou uma Ponte Preta, não poderia se recuperar e brigar pelo título, como fizeram muitos clubes no passado, na era pré-2000? Se a vida fosse 100% justa e previsível, todos nós saberíamos exatamente o que fazer, o tempo todo. As pessoas não sabem o que fazer em muitos casos justamente em razão da imprevisibilidade da vida. E muitas vezes isso é bom. Imagine se ao ver uma loira estonteante em uma festa você soubesse exatamente o que aconteceria se você chegasse para falar com ela? Simples: você sequer tentaria, pois, teoricamente suas chances de conquistá-la são mínimas. Mas como nem tudo nessa vida é previsível, você esquece a lógica, respira fundo, e vai lá, porque acredita que é possível. E, numa dessas, você vence a lógica e se dá bem! Superar o que está posto como óbvio, eis uma das graças da vida.

Pena que quem está na CBF não pensa assim. Pena que o brasileiro comprou o discurso de europeizar o campeonato brasileiro, imitando justamente o que há de pior nos campeonatos nacionais do lado de lá.

Um bom final de semana a todos.