Finally, New York!

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Finalmente, depois de três meses, posso dizer que estou realmente me sentindo em Nova York. Tudo por dois motivos: primeiro, a temperatura caiu.

Aliás, na verdade não caiu, mas sim despencou. De um dia para o outro saiu de uns “agradáveis” 15 graus para zero grau, com sensação de menos 15. Imaginem os dias mais frios do nosso inverno. É isso e mais um pouco (mas considerem que aqui estamos no outono). E, como dizem que principalmente janeiro e fevereiro são os dias mais frios em Nova York, preparemo-nos!

A mostra do que será o inverno veio com a neve na madrugada de segunda para terça-feira. Como foi de madrugada, não vi nada, apenas constatei as calçadas molhadas na manhã de terça. Mas, pelo frio, pude constatar que os relatos da neve eram verdadeiros. Para mim, porém, por enquanto segue a expectativa de ver a primeira neve do inverno nova-iorquino (que oficialmente nem chegou). No entanto, mesmo sem aquela neve que todos vemos pelos filmes (essa dizem que vem na semana do Natal), pude colocar à prova a minha nova armadura: uma jaqueta térmica, luvas e toca de esquimó. No único ponto em que não providenciei reforços (as calças) acabei sofrendo. Imaginem o dia mais frio do ano no RS. É assim. Se você sai apenas com calça jeans e cueca, após uma caminhada de 15 minutos na rua você começa a não sentir mais as pernas (e tudo o mais)… Agora, depois de providenciar reforços para as partes baixas, espero a neve. Já deu para ter uma noção nessa semana da verdadeira Nova York, pois no verão a cidade não parecia a Nova York dos filmes.

E, em segundo lugar, na terça-feira me senti realmente em Nova York por outro motivo: as revistas feitas pela polícia no metrô. Não sei se houve alguma denúncia, ou ameaça por parte de fundamentalistas religiosos, mas sei que a polícia estava revistando todo mundo, abrindo sacolas, mochilas, etc. Como todos sabem que tem o risco, ninguém reclama. Melhor esperar um pouco pela revista policial do que pagar caro depois. É praxe. No Brasil, já estariam dizendo “que pouca vergonha, essa polícia pensa que sou bandido! Vou processar por danos morais!”. Menas, Valdemar. Bem menas.

No sábado, quando recebi a visita do meu amigo e colega de coluna do JM, Eliseu Mânica Jr., já aconteceu outra coisa que mostra o espírito do negócio. Eu comprei um colchão inflável e estava com ele numa sacola do lado de fora do Hard Rock Café, enquanto esperava o Eliseu. Nisso, vi um homem vestido de folha de maconha pregando pela legalização da erva. Afastei-me por 10 segundos da sacola para tirar foto do cara. Menos de dois minutos depois, veio um policial me perguntar se eu tinha deixado a sacola sozinha. Eu disse: “Sim, mas só por um segundo. Só fui tirar uma foto…”.

Ele ouviu minha justificativa mas completou: “Aqui nos Estados Unidos essa é uma atitude suspeita”. E começou a me fazer perguntas sobre de onde eu era, o que tinha na sacola e o que fazia nos Estados Unidos. E, óbvio, tive que mostrar o que tinha na sacola. Depois, desculpou-se pelo mal-entendido e me fez prometer que não deixaria mais a bugiganga sozinha, possivelmente porque alguém a viu na calçada e ligou para a polícia. Quando o Eliseu saiu da loja, comentei o ocorrido e disse: “Agora aposto que estão nos vigiando pelas câmeras de segurança”… Depois disso, tirei umas fotos dos carinhas que se vestem de super-heróis e não dei o tip (gorjeta). Eles saíram atrás de nós gritando “one dolar, man!”. Nos paramos de surdo. Nessa hora os policiais devem ter se convencido de que realmente éramos brasileiros. E agora, depois dessas e do frio, definitivamente posso dizer que, sim, estou em Nova York!