Futebol americano: a cara dos EUA

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No último final de semana tive a oportunidade de assistir a um jogo de futebol americano: Giants x Packers, no MetLife Stadium, em New Jersey. Se você algum dia visitar Nova York e tiver que escolher entre assistir a um jogo de basquete (Knicks), baseball (Yankees) ou futebol americano (Giants), opte pela última opção – digo isso porque vi ao vivo os três esportes. Além do jogo não ser tão chato, é uma aula de cultura americana. Explico-me.

Na chegada ao estádio você se depara com um estacionamento gigante, com milhares de carros e trailers com uma porrada de americanos acampados, fazendo churrasco, tomando cerveja e batendo uma bolinha (de futebol americano, óbvio). É a cara dos Estados Unidos: cerveja, comida e esporte. Só essa cena já vale o ingresso. E já que tinha tanta gente bebendo e comendo churrasco, tratei de catar alguém para me fornecer um pouco de comida e bebida, afinal, a tarde era longa.

Foi então que puxei conversa com uma família de torcedores do Packers. Resumindo, comi churrasco, tomei cerveja e até joguei um pouco de futebol americano no estacionamento com a camisa do Grêmio… O cara mais velho viaja com a família, irmão, filho e mulher pelo país acompanhando os Packers. Ou seja, em termos de participação e de espetáculo de torcida, o futebol americano dá de dez a zero no baseball e no basquete.

A outra atração é o próprio estádio MetLife. É um estádio hiper-moderno que, pelo que me contou o torcedor do Packers, custou dois bilhões de dólares na última reforma. A capacidade é de 85 mil torcedores, todos sentados. Então, se você já foi na Arena do Grêmio e achou grande, esse estádio é maior ainda. E para completar: lota em todos os jogos. Os Giants não estão fazendo uma grande temporada, mas mesmo assim, creio que 90% do estádio estava ocupado com torcedores. A torcida toma cerveja, grita, xinga o juiz, os adversários (que dividem as cadeira, sem separação, mas também sem briga, fisicamente falando), comemora, briga com o time quando erra, e por aí vai… Eis a grande diferença para a torcida dos Knicks e dos Yankees. Mas, mesmo assim, os gritos de guerra se limitam ao famoso “Let’s go Giaaaants!”. Ou seja, ainda está muito atrás do espetáculo e dos cantos dos estádios de futebol pelo mundo afora.

Por essa e por outras, você aprende muito sobre a cultura americana indo a um jogo de futebol americano. Você pode ver o lado torcedor dos gringos. Porém, outro dia, conversando com um nova-iorquino, ele disse que gosta de futebol americano mas não liga se o Giants ganha ou perde. “Eu gosto de ver o jogo pela ação, pelas jogadas. Eu não ligo se o time ganhou ou perdeu”. É difícil comparar qualquer um dos três esportes mais populares dos Estados Unidos com a relação entre o Brasil e o futebol, por exemplo. Talvez somos mais fanáticos simplesmente porque no Brasil o futebol é o único esporte realmente de massa, enquanto que aqui são pelo menos três. Ou talvez não… vá saber.

Bom, acabou o espaço, então, para encerrar, desejo um ótimo final de semana para todos aí nas Missões.