Futebol no Central Park

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No último final de semana tive uma experiência única: joguei futebol no Central Park. Foi algo inimaginável de se fazer, primeiro, porque eu nunca imaginava que um dia eu tivesse a chance de conhecer o Central Park. E, segundo, porque eu não sabia que as pessoas jogavam futebol por lá. Por fim, em terceiro lugar, porque pela primeira vez na vida joguei bola com pessoas de aproximadamente dez nacionalidades diferentes (americano, africano, argentino, mexicano, jamaicano, italiano, inglês, paquistanês, etc).

Sou da teoria do David Coimbra de que a personalidade de uma pessoa no jogo mostra um pouco da sua forma de ser na vida. Não falo aqui de habilidade, mas sim, de postura. Os americanos e europeus são totalmente educados. Quando você faz uma boa jogada, eles vem cumprimentar e dizem "beautiful work". Quando você faz um gol eles gritam "yes!". E, talvez por faltar habilidade nas pernas, eles se preocupam excessivamente com a tática. Na verdade, eu ria por dentro ao ver eles tentarem organizar um time formado por pessoas que nunca tinham se visto até então, em um campo quadrado (a largura das laterais era a mesma que ia de um gol ao outro) e com 10 pessoas no time (pra uma pelada, é bastante). Só sei que quando vi tinha até uma americana jogando junto, e ela jogava melhor que a maioria dos caras.

Bom, a minha atuação foi discreta, pois meu condicionamento físico estava muito abaixo dos demais. O que faltava em habilidade pros caras, sobrava em fôlego. Já o pessoal de outras nacionalidades só confirmaram os estereótipos: brasileiro, argentino e africano queriam driblar todo mundo, enquanto um italiano ficava "pescando" lá na frente, bravo com todo mundo, porque a bola não chegava (e quando chegava, ele a perdia ou chutava pra longe do gol). Foram duas horas de jogo, com dois tempos de uma hora e uns 20 minutos de intervalo. No final, pra variar, estava todo mundo se arrastando. Quem cansava, geralmente ia para o gol (acho que eu fui umas cinco vezes). O placar foi discreto: 5 a 3, o que mostra a ruindade dos dois times, que só fizeram oito gols em duas horas de jogo (pra uma pelada, é muito pouco).

No fim, foi uma experiência, pois era impagável ouvir dos caras "good job" ou "nice try" – não ouvi nenhum "fuck" mas alguns "shits", mas algo totalmente educado se comparado com as peladas brasileiras. Ah, e sobre a personalidade da pessoa exposta no jogo, vou contar apenas um caso. Quando teve um lance em que a bola tocou, mesmo que sem querer, no braço de um americano, ele parou o jogo e disse "hand ball". Quando o mesmo ocorreu com o jamaicano e, depois, com o brasileiro, ele quis convencer os outros de que não tinha sido nada…

Enfim, há estereótipos e estereótipos. Alguns são lendas, mas outros tem algum fundo de verdade.

Como sempre, teria mais a escrever, mas acabou o espaço. Então, até a próxima semana!