Futuro aleatório

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 Muitas coisas na vida são decididas no detalhe. E muitas coisas muito importantes são decididas aleatoriamente e com base na relação sorte/azar, que está relacionado, obviamente, a questões físicas e psicológicas. Por exemplo, você pode estar numa festa, olhando para uma loira esbelta, com um decote que faz seus neurônios todos pararem de trabalhar instantaneamente. Ela pode te olhar e gostar de você.

Pode se interessar, olhar duas, três, quatro vezes e sorrir. Porém, enquanto você está caminhando rumo à felicidade, ela pode, por acaso, aleatoriamente, olhar para o lado e enxergar um concorrente que chamou mais a atenção dela do que você. Ou seja, você fez tudo certo, tudo o que tinha que ser feito, mas teve nada mais nada menos do que azar. A felicidade naquela noite era certa. Enquanto olhava para ela, você já admirava aquelas coxas bronzeadas se esfregando em você embaixo dos lençóis, carinhos, beijos ardentes, suspiros, orgasmos, líquidos espalhados entre os dois corpos etc. Você até já estava com um meio sorriso da vitória no rosto, certo de que a conquista era inevitável. Porém, no último minuto, a sorte te abandonou e você se ferrou.

Aqui entramos no elemento X da minha teoria (que não é teoria, é hipótese, porque não é testada cientificamente). Foi isso que aconteceu com o Grêmio quarta. Jogou melhor, fez tudo o que tinha que ser feito: chegaram ao Equador 10 dias antes do jogo, treinaram, entraram em campo os melhores do grupo e bem postados taticamente. O Grêmio jogava muito melhor, tinha o domínio da bola, tinha o jogo sob controle, mas por pura casualidade, o Dida se machuca, a LDU se empolgou e na única blitz que fez durante o jogo inteiro, marcou o gol. Já o Grêmio, fez várias blitz, mas a bola parou na trave, no travessão, no goleiro. Incompetência? Não, azar. Um chute que bate no travessão e quica quase em cima da linha e cai no pé do zagueiro é puro azar. E um chute que bate no travessão, e cai no pé do atacante que faz o gol é pura sorte. Foi isso que aconteceu.

Nos dois casos, o crucial não está no azar nem na sorte. Isso é aleatório. Ou seja, você, na festa, que acabou de perder a loira monumental tem duas opções: ou você enche a cara, fica um bêbado chato que lamenta a má sorte a noite inteira no ombro dos amigos e volta pra casa, vomita e no outro dia levanta com uma p. ressaca, ou você respira fundo, toma uma cerveja sobriamente, e olha em volta e vê um monte de outras beldades, que podem ser até melhor do que a que você perdeu.

E o Grêmio também tem duas opções nessa semana: ou fica lambendo as próprias feridas e chorando a má sorte, ou esquece isso e se concentra em fazer dois gols no jogo de volta. Aliás, isso vale para os jogadores, para o treinador e também para a torcida. Pela primeira vez, em muito tempo, não houve um (ou mais) culpados numa derrota do Grêmio. Dessa vez, o único culpado foi o azar. Mas o azar é passageiro e aleatório. Assim como uma loira esbelta que vira a cara para você na festa.
Um bom final de semana a todos.