Gente maluca

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Domingo passado foi o Brazilian Day em Nova Iorque. Nesse dia, conheci um argentino colorado. Isso mesmo, um argentino que torce para o S.C. Internacional. Estava eu indo para o Brazilian Day quando vi aquela camisa vermelha no meio do povo (não se achem, colorados, pois vi três com camisa do Grêmio no mesmo dia, além de uma bandeira tricolor). Enfim, fui mexer com o cara, dizendo “não pode entrar com essa camisa aí”, e, no fim, fiquei amigo do cara e da esposa dele, uma brasileira, corintiana. Ambos moram em Miami e estavam ali justamente para o Brazilian Day, que teve show do Gustavo Lima e você e do Zeca Pagodinho (não ia ficar justificando a minha presença ali, mas a verdade é que sou fã do Zeca desde pequeno). Lá pelas tantas, o argentino, que diz que começou a torcer para o Inter em 2010 (não sei se por causa do título da Libertadores ou por pena da derrota para o Mazembe) largou a frase que definiu todas as pessoas que estavam ali: “que bando de gente maluca”. Ele olhava e olhava e tentava entender aquilo. Isso que não podia beber na rua (apesar de que tinha uns malucos com lança perfume e um outro, que foi expulso pelos policiais por estar bebendo). Fiquei imaginando ele no carnaval de rua no Rio ou em Salvador.

Mas essa gente maluca é mais incompreendida ainda pelos policiais de Nova York. Primeiro, eles tiveram muito trabalho para não deixar entrar o pessoal que estava fora do espaço gradeado (e que o único critério para entrar era ter chegado cedo). Era uma multidão, e toda hora tinha um espertinho puxando a grade para entrar escondido. Eles viam aquilo e ficavam furiosos e tocavam o povo como se tocassem gado gritando “go out! go out!”. Ninguém é burro o suficiente para contrariar a polícia aqui. Simplesmente porque aqui, as leis funcionam. O sujeito não assalta ninguém na rua com arma porque sabe que se fizer isso tem uma lei que prevê, por exemplo, 10 anos de prisão. E o mais importante: ele sabe que vai ficar os 10 anos na prisão. Ao contrário do Brasil, onde o sujeito entra numa universidade armado, assalta 20 alunos e vai embora sem acontecer nada (como ocorreu na minha faculdade aí do Brasil, a PUC, e no meu curso, o de Jornalismo). Eis algumas diferenças básicas entre o funcionamento da estrutura e das instituições americanas para as brasileiras. A fórmula é simples: criam-se leis, cumprem-se as leis. Se a pena é de 20 anos para um crime, o sujeito sabe que vai ficar preso os 20 anos. No Brasil, o cara sabe que vai ficar um mês e um juiz vai mandar soltar.

Mas enfim, passada a muvuca, quando o negócio se acalmou, era curioso ficar olhando a cara dos policiais observando o povo. Um cutucava o outro para mostrar algum maluco dançando esquisito, ou alguma outra cena bizarra. O que pensavam eles? Provavelmente o mesmo que o argentino: bando de gente maluca…

Gente maluca que tem, na minha opinião, do lado positivo uma criatividade incrível para tornar divertida qualquer situação e, do lado negativo, a incapacidade de respeitar o outro (que é o princípio de qualquer regra ou lei social).

Bom, escrevi demais, e o espaço acabou, então, até a semana que vem!