Kerouac: on the road e literatura beat

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Jack Kerouac (1922-1969) é o quinto da minha lista de dez mais. Para quem chegou agora, estou apresentando por dez semanas consecutivas os dez autores que mais me marcaram pessoalmente até hoje.

Kerouac ficou famoso por ser o principal autor da literatura beat, que surge ainda nos anos 1950. O movimento era encabeçado por ele, que escreveu o lendário “On the road”, pelo poeta Allen Ginsberg, de “O uivo”, e por William Burroughs, autor de “Almoço nu”. A biografia dos três é pura piração. Burroughs, por exemplo, tinha uma plantação de maconha no Texas e uma vez matou um amigo pois ambos estavam bêbados e chapados e em dado momento o amigo colocou uma lata vazia na cabeça para Burroughs fazer de alvo. Ele errou e o amigo partiu para outro plano. No entanto, Kerouac foi o mais famoso, sendo best-seller no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Mas quem foi Kerouac?

Kerouac nasceu em Lowell, Massachusetts, integrante de família franco-canadense. Mudou-se com a família, aos 14 anos, para Nova York. Teve como primeira língua o joual, dialeto canuk, franco-canadense, e só aprendeu o inglês posteriormente, bem como o francês. Talvez por isso o contato com estrangeiros e a busca por seus descendentes é algo freqüente em sua biografia. Dentre os seus autores favoritos estava o já mencionado Jack London. Ainda em Nova York, ingressou na Universidade de Columbia como bolsista-atleta, mas após quebrar a perna e se desentender com o técnico de seu time, largou os estudos, ficando proibido de pisar naquela universidade.

Deixando a universidade, Kerouac se afundou nas bebidas e nas drogas até o fim da sua vida. Ele usava estimulantes, anfetaminas, nas quais ele conta em “On the road” que usou para não dormir para escrever a obra em uma semana. Na obra, ele narra as suas idas e vindas em vagões de trens com outros vagabundos, além de caronas, sempre cruzando os Estados Unidos de costa a costa. Teve algumas passagens pelo México, aonde usava maconha à vontade. Quando estava com Burroughs, também usava morfina, heroína e ópio. Porém, diferente de Ginsber, não curtia os alucinógenos.

Kerouac escreveu diversos livros, alguns deles publicados postumamente. Em “On the road”, escrita em 1951, ele usa uma escrita com fôlego narrativo alucinante, apresentando diversas das características que marcam a literatura beat: parágrafos longos, uso freqüente de drogas por parte dos personagens, viagens sem destino certo, muitas vezes feitas através de caronas com motoristas desconhecidos e o uso de bebidas frequentes.

Entretanto, após escrever “On the Road”, e de seu imediato sucesso, Kerouac se assustou com a fama e passou a desenvolver projetos literários que o ligassem ao budismo. Daí nasceram obras como: “Os vagabundos iluminados” e “Os subterrâneos”. Depois, Kerouac ingressou em uma nova fase em que buscou o isolamento do convívio humano, surgindo assim obras como: “Big Sur” e “O viajante solitário”. Outros livros são: “Geração Beat”, que trata de diálogos entre o grupo de amigos do movimento beat em um ritmo sincopado, e “Tristessa”, que é baseado em fatos autobiográficos a partir de um relacionamento que Kerouac teve com uma prostituta viciada em morfina na Cidade do México. Bom, assim como todos os outros escritores comentados até aqui, a melhor maneira de vocês conhecerem Kerouac é lendo a sua obra. Leiam “On the road”. Vale muito apena – e com certeza vai te deixar querendo cair na estrada.