Literatura (e influência) nova-iorquina

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 Quando surgiu a oportunidade de tentar uma bolsa de estágio doutoral fora do país, em razão da minha pesquisa e das minhas influências literárias, a minha primeira opção, obviamente, era os Estados Unidos. Porém, confesso que, apesar de aqui ter as duas universidades que me atraíam (Columbia e New York University, onde estou), a maioria dos autores, escritores e jornalistas que pesquiso e leio são de outras regiões dos Estados Unidos: a maioria é, ou fez a sua carreira, em Los Angeles. Claro, estou excluindo aqui algumas estrelas da geração beat, que se criaram aqui, como Jack Kerouak. Hunter Thompson, como já comentei outra vez, também nasceu em Louisville mas teve uma passagem considerável por Nova York. Ainda tem por aqui muita gente do New Journalism, como Tom Wolfe, que nasceu em Norman Mailer, em Virgínia mas fez parte da carreira por aqui, e Gay Talese, que nasceu na vizinha New Jersey e também buscou a consagração literária em NY.

Porém, agora, estando em New York, estou descobrindo um outro universo de escritores locais. Na verdade eu diria que são os cronistas e romancistas de Nova York que, durante décadas e séculos, tornaram a cidade no espetáculo para todos os gostos que é hoje em dia. E, muitos deles séculos antes, já usavam as mesmas expressões que as pessoas usam hoje, como “a cidade que não dorme” ou “a capital do mundo”. Aliás, tirando um ou outro detalhe histórico exposto em seu texto, se pegarmos o texto “A brief description of New York”, escrito por Daniel Denton em 1670, poderíamos pensar que ele estava se referindo a New York de 2013 (pelas expressões usadas), como “centro financeiro do mundo” e “cidade do glamour”. Então, na verdade, todo esse imaginário que se formou da cidade é resultado de séculos e séculos de textos e produtos culturais que firmaram a cidade tal como ela hoje é conhecida. Nesse sentido, seguiram Denton: Elizabeth Hanson (texto de 1728), James Cooper (1828), Richard Dana (1840), o escritor e fotógrafo Jacob Riis (1890) e daí começam a aparecer os mais conhecidos, como Joseph Mitchell, que tem obras traduzidas para o português, mas que só estou descobrindo agora, lendo o gigantesco “Up in the old hotel”, em que ele conta, por exemplo, a história do “Professor gaivota”, um andarilho que queria escrever a “História oral do mundo” lá pelos anos 1920, em NYC. E, claro, ainda tem Joan Didion e Norman Mailer.

Enfim, como o espaço está acabando, só posso dizer que a influência nova-iorquina sobre o restante dos Estados Unidos e do mundo não é de agora. Ela começa praticamente ao mesmo tempo em que a cidade começa a ser erguida. Como entender o motivo de ser justamente aqui, nesse canto do mundo, o lugar mais visado do mundo? Isso nem todos os livros nem todos os museus nova-iorquinos do mundo conseguem explicar de forma unânime.
Agora sim, acabou o espaço. Hasta!