Mordida tricolor

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Vendo o Gre-Nal de quarta-feira, lembrei-me de um trecho do livro Caninos Brancos, do Jack London, que já mencionei aqui noutra vez. Mais especificamente do trecho em que o lobo Caninos Brancos é utilizado pelos humanos em rinhas de cães. Caninos Brancos, como dá nome ao livro, é o personagem principal da história, entretanto, ele encontra pelo caminho um buldogue que consegue superá-lo usando uma tática parecida com a que Roger utilizou na quarta-feira.

A tática do buldogue, que se chamava Cherokee, foi simples: agarrar-se ao pescoço do lobo, segurando a mordida até matar o rival. Eis como London descreve o ataque: “Não foi uma boa mordida, por ser baixa demais em direção ao peito, mas Cherokee não a largou. Caninos Brancos pulou sobre as patas e correu loucamente para lá e pra cá, tentando livrar-se do corpo do buldogue. Isso o deixava frenético, esse peso agarrado, arrastado. Limitava os seus movimentos, restringia a sua liberdade. Era como uma armadilha, e todo o seu instinto se ressentia da captura e revoltava-se contra a cilada” (p.164).

No romance, Caninos Brancos era imbatível em combate e, quando foi colocado na frente do buldogue, muitos riram e todos acharam que a luta sequer teria graça. Entretanto, a tática de Cherokee surpreendeu, ficando o cão grudado nele, pendurado apertando suas mandíbulas contra o coro do lobo com toda a força. Foi isso que o Grêmio fez no Grenal: se grudou na defesa colorada e não saiu de lá. Não deixou o Inter respirar. Sufocou-o. E, se por um lado o Caninos Brancos de London foi salvo por um caçador que passava por ali e mandou encerrarem a luta, o Inter se salvou de levar mais pelo árbitro, que teve que por fim ao massacre.

CAXIAS – Agora o tricolor tem o Caxias pela frente. Antes do jogo, cheguei a arriscar: “aposto que o Grêmio passa pelo Inter, mas perde para o Caxias”. Historicamente, o Caxias sempre foi uma pedra no sapato tricolor. Além disso, tem um ótimo time nesse ano. Difícil prever alguma coisa além de que certamente será um baita jogo.

LUXEMBURGO – Quando especularam o nome do Luxemburgo, fui totalmente contra. Mas depois, confesso, deixei-me levar pela lavagem cerebral da imprensa esportiva de Porto Alegre. Considerando os nomes que estavam disponíveis, tendo que optar por um treinador que nunca ganhou nada como técnico e que seria mais uma aposta, como Adilson, e um Luxembergo que tem história e bagagem, e que também conhece muito bem a história e a grandeza do Grêmio, prefiro a segunda opção. Aliás, como disse o Pedro Ernesto Denardin, para um clube que já apostou em Lazaroni, Edinho, Julinho Camargo, etc, Luxemburgo é filé mignon.