Nada de novo no front

0
121

“Nada de novo no front” é um baita livro escrito pelo ex-soldado alemão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Erich Maria Remarque. Na verdade, apesar do título, as histórias que ele conta surpreendem o leitor, pois vão desde o ingresso do autor no exército alemão (sem saber muito bem quem era o inimigo e o motivo da guerra) até as situações vividas no front. Dentre outras coisas descritas na obra, a falta de alimentos dentro nas trincheiras ganha destaque, pois ele e os demais soldados alemães chegaram a caçar ratos para ter o que comer. Enfim, um livro que indico a todos, afinal, apesar de antigo, intriga, encanta e surpreende, justamente ao contrário desse campeonato brasileiro que está começando.

O que temos nessas primeiras quatro rodadas? Com pouquíssimas exceções, basicamente uma continuação do campeonato do ano passado. A principal dessas mudanças está na campanha do Atlético-MG, adversário do Grêmio amanhã, mas que tem uma justificativa aceitável para a sua pontuação pífia, que é justamente a sua sobrevivência na Libertadores. Fora isso, o começo do campeonato desse ano é apenas uma continuação de 2012, principalmente se observarmos a dupla Gre-Nal.

Comecemos pelo Grêmio. Ao que tudo indica, o Grêmio vai repetir a campanha do ano passado e vai ficar entre os primeiros, mas não brigando pelo título, e sim pela vaga na Libertadores (para depois, no ano que vem, perder para outro time mediano como o Santa Fé e recomeçar o círculo vicioso de buscar eternamente vaga na Libertadores sem ganhar nenhum título…). Claro que é cedo para dizer isso em termos de pontuação, por isso, sustento minha tese com base no futebol que estou vendo. O Luxemburgo tem em mãos um elenco para brigar pelo título, mas, com a postura que está adotando, vai ficar naquela faixa que vai do segundo ao quarto lugar. O grande problema do “professô” é que ele não pode jogar em vantagem. Contra o Santa Fé, o time foi para Bogotá com vantagem, jogou recuado, levou pressão e perdeu. Contra o Santos, fez um gol no início, levou sufoco de um time horrível até que sofreu o empate. E quarta-feira, contra o Vitória na Arena, pressionou até fazer o gol, mas, depois da vantagem adquirida, recuou e se tivessem mais 10 minutos de jogo os baianos empatariam. Essa não é postura de time campeão.

E do lado do Inter, tanto pela pontuação, quanto pelo futebol apresentado, também teremos um repeteco de 2012: time com grandes estrelas, que de vez em quando encanta, mas na maioria dos casos decepciona, como ocorreu nos jogos contra Bahia e Portuguesa. Ou seja, possivelmente o time fique naquela faixa intermediária da tabela, que não fede nem cheira. E os favoritos? Com essa tendência de repetição e campeonato sem graça, segue sendo o campeão do ano passado: Fluminense, com São Paulo e Cruzeiro comendo pelas beiradas.

Mais uma vez, torço para que eu erre todas as previsões: que o Grêmio conquiste o título e o Inter caia para a Segundona… Mas como isso aqui não é a Primeira Guerra Mundial, essa realização não passa de mera utopia…