Neve e família

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Acho que é a idade, mas não lembro se já escrevi aqui sobre a visita que fiz a Filadélfia, às escadarias do Rocky Balboa e ao Indepence Hall, local onde foi declarada a independência americana. Mas para não correr o risco de repetir tudo, vou direto ao que interessa: a chegada da neve, da patroa e das crianças a Nova York.
A primeira neve que vi na vida aconteceu justamente no domingo da última rodada do Brasileirão 2013. Estava vendo na TV de um bar na 28 Street o jogo Grêmio e Portuguesa e acompanhando nas TVs do lado uma partida de futebol americano que estava sendo disputada na Filadélfia (que fica a uma hora e meia daqui) abaixo de uma forte nevasca. Na outra TV, passava o jogo dos Jets, no MetLife Stadium, que fica em New Jersey, ou seja, entre a Filadélfia e Nova York. E em pouco tempo começou a nevar em NJ também, o que queria dizer que logo a neve estaria aqui, em NYC. Quando o jogo do Grêmio chegou lá pelos 30 do segundo tempo, começou a cair a neve em Nova York e, pela primeira vez na vida, pude ver pela porta de vidro as bolinhas brancas decorando a cidade inteira de uma única cor. Não aguentei e saí um pouco para a rua. Na verdade não estava tão frio (talvez já estou acostumado com a temperatura abaixo de zero – qualquer temperatura positiva já é clima “agradável”). Voltei para o bar e comemorei ao mesmo tempo a minha primeira neve a classificação do Grêmio para a Libertadores.
Cheguei em casa, peguei a câmera, e fui para a rua tirar fotos. Desde então, a neve tem sido frequente e acho que já tirei mais de mil fotos de carros, casas, apartamentos, calçadas, pessoas, animais, árvores, bancos, praças, parques, estátuas, esquilos, enfim, tudo o que se possa imaginar, tudo coberto de neve.
Como disse, a primeira neve que vi foi no domingo do jogo do Grêmio e na quarta chegou a patroa e as crianças em Nova York. A emoção que senti ao ver elas, e principalmente a minha pequena Larissa, depois de quatro meses, é algo inesquecível e que vou guardar para o resto da vida. Desde então, não nos desgrudamos. Serão dois meses juntos, e por isso não posso prometer textos semanais para ninguém, pois passo o dia passeando e brincando com minha pequena e matando a saudades da patroa e da Laura, minha enteada.
Hoje completou uma semana que elas chegaram, e a sensação já é de que tudo passa rápido demais. Apesar da neve e do frio não ficamos nenhum dia em casa. E a minha pequena só quer saber de brincar na neve, fazer boneco e guerrinha (e, claro, ir nas gigantescas lojas de brinquedos). Tirar ela da neve é mais difícil do que tirar qualquer criança da beira da praia. Ela adorou a neve.
Para finalizar, confesso que ao mesmo tempo em que é muito divertido, sinto-me orgulhoso (enquanto pai) de ouvir a vozinha dela, com três anos, dizendo “ah, vamos no Central Park, pai” ou “eu gostei da Estátua da Liberdade” ou vendo ela me fazer perguntas filosóficas, como a que fez no Museu de História Natural ao ver uma baleia gigante exposta fora da água: “por que tiraram a baleia do mar, pai?”. Se continuar assim, vai longe essa guria!
E espero que vocês curtam os poucos textos que vou mandar nesses dois meses, enquanto eu curto a minha família aqui!
Hasta um dia desses!