Nostalgia

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Não é só do Grêmio do Felipão que eu sinto saudades da minha adolescência nos anos 1990. Também sinto muita falta dos joguinhos nos campos de futebol Sete da AABB. As nossas peladas atravessaram toda a década de 1990 e praticamente todos os meus amigos de Santo Ângelo passaram por elas. Lembro que, independente de ser frio ou calor, chover ou fazer sol, ter meia dúzia ou 30 para jogar, praticamente todos os dias durante todo o ano eu estava lá, no campinho de futebol sete da AABB correndo atrás da bola. As histórias são muitas.

Às vezes meu pai (que o pessoal chamava de Seu Nabuco) entupia o carro com a gurizada: chegava a ir cinco atrás e dois no banco do carona na frente. Claro que sempre tinha a tradicional reclamação (“assim não dá”), mas o carro do meu pai era igual a coração de mãe: sempre cabia mais um. O restante geralmente ia de bicicleta. E eu confesso que me sentia um tanto quanto poderoso, pois como eu era o único sócio da AABB, eu tinha o poder de “convocar” quem ia jogar ou não. Ou seja, se eu estivesse bravo com alguém, colocava o sujeito na banheira por algumas semanas. Está certo, é meio aquela história do dono da bola, mas dificilmente eu usufruía desse poder, pois geralmente todo mundo já estava automaticamente convidado de antemão.

Havia dias em que, em pleno verão de janeiro, embaixo de um sol de 40 graus das três da tarde, eu e mais dois ou três passávamos horas cobrando falta, fazendo cruzamento, jogando “três dentro três fora” e o tradicional um defende e duas duplas se matam correndo atrás da bola (ou, até mesmo, um defende e dois driblam). E, por outro lado, tinha dias em que as laterais do campo ficavam lotadas de bicicletas e dava para fazer quatro times de futebol sete. Era o pessoal do colégio, como o Maikel (que hoje mora no Rio), o Harley (que parece que anda por Florianópolis), o Fernando Hamster (da última vez em que falei com ele, estava morando em Lajeado), o Tiago Quadros (gaiteiro de Santo Ângelo), o Vinícius Dorneles (que andava pela Serra), o Vinícius Bueno (que está em Ijuí), Carlos Daniel (que está em algum lugar do RS pela Brigada Militar), o Jean Dick (que está em Itapema-SC), o Juliano Bassani (que foi embora para Joinville-SC lá por 1995 e nunca mais tive notícias), enfim, não tenho como lembrar de todo mundo mais de 15 anos depois. E tinha também o pessoal da vizinhança, como o Eduardo Lobo e o Tiago Beck (que estão aqui em Pelotas), o Cleiton (que morava no Onofre), o Jones (que era goleiro e está em Bento Gonçalves), o Alexandre (que era bom zagueiro e acho que está na Polícia em Santa Catarina), o Kaká (que não sei por onde anda), o Matheus Knap (acho que mora em Curitiba), o Leonardo Alemão, os irmãos Juliano e Jaime (que sumiram), o Hélcio e o Rômulo (que também sumiram), o Cleiton (irmão do Carlos, também da BM) e o meu amigo de infância Daian Dornelles, que vez em quando arrumava um time de fora pra jogar contra a gente. Muito mais gente passou pelos campinhos da AABB (que hoje, na minha loucura nostálgica penso como se fosse a minha seleção), mas creio que esses (e com certeza alguém que vai reclamar do meu esquecimento depois) são os que eram mais assíduos. Eram bons tempos. Era o tempo em que eu era magro e, modéstia à parte, jogava muito bem. E era tempo em que o Grêmio era o campeão de tudo. Infelizmente os tempos mudaram – da última vez em que joguei bola, dois meses atrás, quebrei o nariz e o Grêmio não ganha mais nada.

Um bom final de semana a todos.