O até logo à Dona Diva

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Na sexta-feira do dia cinco de julho de 2013 eu estava indo para o Rio de Janeiro fazer o visto americano quando recebi uma ligação que me deixou transtornado: Dona Diva, avó da minha esposa, Cristiane, e bisavó da minha filha, Larissa, havia falecido. O sentimento angustiante foi imenso, pois não havia como retornar antes de fazer o visto, então, tive que sofrer à distância pela perda.
A dor logo que perdemos alguém que amamos sempre é gigantesca, mas com o passar dos dias você vai assimilando o que aconteceu, vai lembrando os bons momentos que a pessoa querida proporcionou e, principalmente, começa a internalizar a principal mensagem que alguém como a Dona Diva teria deixado a todos que ela amava: sigam em frente e busquem o amor e a felicidade. E ela diria isso a todos porque ela foi uma dessas raras pessoas que, em uma simples conversa, você percebia que era iluminada.

A Dona Diva, como era conhecida por muitos, não era só uma senhora que fazia por merecer o “Dona” no tratamento. Ela foi a mãe paciente dos filhos Jaime, Jane e Elaine, foi avó carinhosa para todos os netos oficiais e emprestados (como era o meu caso) e foi uma bisavó que amava a cada bisneto (Laura, Larissa e Artur) como se fossem as maiores preciosidades de toda a humanidade(o que eu, como pai coruja, concordo plenamente). Mas, muito mais do que isso, ela foi uma pessoa que, nos sete anos em que convivi, nunca vi de mal humor ou falando palavras que não fossem de incentivo aos outros. Defendia a família como uma leoa e era respeitada por todos que a conheciam, justamente por tratar a todos igualmente, com carinho e atenção.

Sem dúvidas, foi uma pessoa que torna qualquer tentativa de descrevê-la vã, pois apenas quem teve o prazer de conviver com ela, mesmo que por pouco tempo, pode realmente entender o que eu me esforço para fazer se entender. Lembro que quando me “agreguei” à família, desde que soube que eu era alérgico a ovo, ela sempre fazia sobremesas especiais para mim – como torta de bolacha e sagu. Aliás, essa era outra característica marcante da Dona Diva: quem passava pela sua casa sempre saia de lá de barriga cheia e alma leve – pois tanto os seus pratos eram deliciosos quanto a conversa era agradabilíssima.

Certamente por isso e muito mais, e por tratar a minha esposa Cristiane como se fosse sua filha única e eu como se fosse neto de sangue (e por fazer todo mundo se sentir especial) é que a sua partida foi tão sentida por todos. Mas (sei que é lugar comum, no entanto é a única certeza da humanidade) todos acabarão tendo o mesmo destino. Ou seja, para nós, que permanecemos aqui sentindo saudades, fica o sentimento, não de adeus, mas de um “até logo”. Por isso, deixo a minha mensagem à Dona Diva: “Até um dia desses, minha avó”.

ESPORTE – Sei que essa coluna é para ser sobre esporte, e talvez por quase não abordar esporte, faço hoje minha despedida nessa honrosa editoria, pois a partir de agosto estarei em Nova York e de lá, se Deus, o Editor e o dono do jornal permitirem, ao invés de estar comentando sobre a dupla Gre-Nal (está certo, vezemquando ainda vou falar desses pitorescos irmãos), enfim, ao invés de abordar assuntos futebolísticos estarei tratandoda complexa cultura americana e sua relação com a Terra do Nunca (Brasil) e tudo o mais.

Um bom resto de semana a todos.

PS: Ok, as minhas intuições de que o Ronaldinho vai ganhar a Libertadores e o Inter o Brasileirão pesaram na minha decisão e trocar de editoria no JM…