O motor do império cultural americano

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Dia desses assisti pela primeira vez a apresentação de uma “comedy” americana. É difícil explicar como é e o que representam as “comédias” na cultura desse país, principalmente na nova-iorquina, mas tentarei. Se você assiste ou já assistiu ao seriado Seinfield fica mais fácil, pois Jerry Seinfield foi um dos maiores exemplos de um profissional da “comedy” nova-iorquina que se tornou celebridade na TV americana e mundial. Resumindo, antes de cada episódio do Seinfield, aparece ele no palco contando causos e piadas. Pois isso é uma “comedy”. Aliás, é uma tradição em todo os Estados Unidos. E o negócio funciona como o futebol no Brasil: há olheiros das TVs americanas que vão lá catar os que se destacam nessas apresentações. Foi assim com Seifield e com muitos outros. Alguns viram séries, seriados e outros vão para o cinema.
Mas agora vou tentar explicar como é uma “comedy” ao vivo, pois mesmo tendo visto pela TV, mesmo sabendo o que era, eu me surpreendi muito quando cheguei lá. Achei o show, Whiplash, no site da Time Out. Fui lá e pensei que não teria muita gente pelo horário, 11 da noite, e por ser uma segunda-feira. Doce ilusão. Cheguei e havia uma fila enorme. Fiquei lá um tempo, e descobri que aquela fila era para quem tinha reservas, então tive que trocar de fila. Mas, como quase tudo fora do Brasil, o negócio é pontual. Quinze minutos antes do horário marcado para o início, todo mundo entrou no teatro, que na verdade, não parecia um teatro. Parecia uma arena, daquelas antigas, de rinha de galo. Na entrada, tinha um bar, que vendia de tudo, principalmente cerveja, afinal, o público era na casa dos 20 e 30 anos. O lugar é escuro e só o palco é iluminado. Ao redor, três espécies de arquibancadas (eram altas, mas com cadeiras como as de cinema) que deixavam o público muito perto do comediante. E então começou o show. O pior é que os caras realmente são engraçados. E, devido ao horário e ao público adulto, piadas sobre sexo e relacionamento predominaram durante a noite.
No total, foram cinco comediantes e o espetáculo durou uma hora e meia. E, assim como esse espetáculo, todos os dias, de segunda a segunda, só em Nova York, são centenas de apresentações com milhares de pessoas assistindo. Por isso os Estados Unidos, que para alguns é um país sem cultura (se comparado com a Europa, por exemplo) tem a cultura que mais influencia o resto do mundo. Assim como nos esportes, em praticamente todas as áreas os americanos tem uma máquina de formar gente super capacitada: técnicos, gênios da informática, operadores, etc, para tornar imbatível a qualidade do cinema americano (em termos técnicos); teatros por todo o país para formar novos atores, músicos, dançarinos, etc; quadras e campos esportivos de todas as modalidades para sempre seguir sendo a principal potência olímpica; universidades por todas as cidades com vários incentivos para formar os melhores profissionais de todas as áreas, e por aí vai… Por isso os Estados Unidos é a principal potência mundial até hoje. É um país grande que formou um sistema onde a máquina de formar pessoas para trabalhar em todas as áreas segue sempre funcionando. Ou seja, em relação aos países europeus, os Estados Unidos tem a vantagem do tamanho e da população, que é bem maior. E em relação aos outros países gigantes de tamanho e de população, os Estados Unidos tem esse super sistema, que começa a ser formado trazendo as criaturas para o seu lado quando elas ainda estão aprendendo a caminhar… É um ciclo de desenvolvimento: formam-se crianças para serem bons estudantes na adolescência para serem os melhores do mundo na vida adulta. E assim a roda vai girando na terra do Tio Sam.
Será que um dia aprendemos?