O primeiro tricolor da história

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O ser humano nem pensava em inventar o futebol e já havia um tricolor habitando esse planeta: Plutarco. O filósofo grego, que viveu entre os anos 46 e 120 (depois de Cristo), certamente não imaginava que um dia os ingleses inventariam um esporte onde 22 homens correm atrás de uma bola para tentar enfiá-la em um retângulo gigante, porém, os gremistas deveriam adotá-lo como um ilustre tricolor. Essa homenagem póstuma seria justa devido à filosofia exposta em um texto que ensina técnicas para combater a cólera (não a doença física, mas a raiva, a indignação, a agressividade em todos os seus níveis). Com tantos anos sem conquistar um mísero título, e assistindo a tantos absurdos que são feitos ano após ano por dirigentes, jogadores, treinadores, etc, as técnicas de Plutarco deveriam ser adotadas como filosofia de vida para todos os gremistas.

Eu poderia citar aqui a trajetória do Grêmio pós-2001 (ano do último título importante conquistado pelo tricolor), mas vou ficar apenas nos fatos de 2013. No papel, tudo estaria perfeito: pela primeira vez desde da Era Felipão o torcedor do Grêmio tem um time que pode ser facilmente decorado do goleiro ao centroavante. Tem titulares de qualidade para todas as posições e boas peças de reposição. Se Dida se machuca, tem Marcelo. Se Vargas não pode jogar, tem Kleber. Se Zé Roberto fica suspenso, tem Bertoglio, e assim por diante. Entretanto, o treinador, que teria todos os méritos por indicar e intermediar as contratações, resolve, juntamente com a diretoria, entregar de bandeja o título gaúcho de 2013 para o Inter. Só faltou vestir uma roupa de garçom e entregar a taça em um pacote de presente ao Dunga e Cia. Sem jogar jogos oficiais, o time se superou contra o Fluminense, passeou contra o risível Caracas na Arena, e todo mundo achou que estava tudo bem. Que nada. O sonhado entrosamento foi para o espaço e o que se viu contra o Caracas (primeira vitória do clube venezeluano contra um brasileiro na história) foi um time perdido, batendo cabeça, desentrosado e desorientado. Uma equipe para pegar entrosamento precisa jogar junta contra adversários que também têm ambições, e não em treinos e jogos-treinos contra times que tiram o pé em uma dividida e dão risada ao levar um gol. O resultado disso: adeus Gauchão e possível vida curta na Libertadores. Gremistas: não se iludam com os 3 a 0 no Flu no Rio; os cariocas vão jogar a vida na Arena. Vai ser uma guerra onde os visitantes podem, tranquilamente, devolver o passeio do primeiro turno na mesma moeda.

E onde foi parar o Plutarco nessa história toda? Pois respondo: foi parar na filosofia de vida dos gremistas. Para que você, gremista, não sofra, não tenha gastrite nervosa ou não tenha um enfarte, faça o que Plutarco indicou lá nos anos 90 d.C.. O texto dele diz que o ser humano deve estabelecer como meta ficar um dia sem sentir cólera (raiva, agressividade, etc). Depois, repete-se esse exercício ampliando para dois dias, três, quatro, uma semana, um mês, um ano, até que o sujeito atinja a plenitude da serenidade.

Pois é, eu estou me tornando um adepto da filosofia de Plutarco, principalmente no que se refere ao futebol. E, por isso, penso que os gremistas deviriam adotá-lo como o seu grande mestre. Por hoje é isso. Enquanto você, nobre leitor, vai assistir aos jogos da dupla nesse final de semana, eu vou para o meu quadrado cantar meu mantra.

Hare Krishna!