Povo hitlerizado

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“Atire a primeira quem nunca pecou.” “Perdoai os nossos pecados assim como perdoamos aos que nos ofendem.” “Santa Maria, rogai por nós, pecadores”… Quantos que vão à missa todo domingo não estavam comemorando nas redes sociais, no fim de semana, a morte de Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, brasileiro que foi assassinado na Indonésia por tráfico de drogas?

Os comentários que li nos links das notícias dos principais veículos do País, como Zero Hora e Folha de S.Paulo, são assustadores. As pessoas agindo como se estivéssemos no século 15. “Merecido, um a menos”, um escreveu. Outro comentou no site de ZH, do alto da sua intelectualidade, tão profunda quanto um penico de orangotango: “Se fosse um policial, pai de família, nem davam bola; agora é um vagabundo e ficam com peninha”. E o fantasma de Hitler aos poucos vai possuindo o povo brasileiro, que quer sangue, que quer o extermínio de quem vai contra os seus princípios… e que, como quase todo brasileiro, não questiona nada que vê a um palmo do nariz. É como o homem das cavernas de Platão, que prefere ficar olhando a sombra refletida na parede (a televisão, o computador) a sair e ver com os próprios olhos o que ocorre no mundo lá fora…

Eu até concordaria que, se a pena fosse uma prisão perpétua ou 30 anos de cadeia, ele a cumprisse na Indonésia. Mas a Indonésia é um país que consegue ser mais atrasado do que o Brasil. Tem leis de antes do século 15 e não serve de modelo para ninguém. No entanto, se pararmos para pensar minimamente no crime cometido por Marco Archer, chegaremos facilmente à conclusão de que tais leis, que estão propagadas em todo o mundo, foram criadas em sua grande maioria não por questões morais ou do que é certo ou errado, mas por questões meramente financeiras.

Qualquer um minimamente inteligente sabe que, de todas as drogas, uma das mais nocivas é o álcool. E por que o álcool é legalizado? Porque movimenta milhões de dólares no mundo inteiro. Quantas vezes você ouviu uma história de alguém que fumou maconha (e não bebeu), saiu quebrando a casa e batendo na mulher e nos filhos? Alguém que cheirou cocaína e bateu o carro porque estava sob o efeito do pó branco? Eu, sinceramente, não me lembro de nenhuma notícia em que se tenha dito: “Ficou constatado que o sujeito estava sob o efeito de drogas antes de cometer tal crime”. Pode até haver um ou outro caso.

Agora, parem para pensar no número de mortes de acidentes, assassinatos por brigas bestas, espancamentos de mulheres e crianças em que o sujeito estava bêbado quando cometeu o crime. A discrepância é gigantesca. E mais: é só uma questão de tempo para a indústria do tráfico ser assumida por corporações que vão deixar mais poderosos ricos. Isso pode ser facilmente feito, pois o povo é burro demais para questionar as mudanças que ocorrem enquanto colocam sem dó nem piedade na sua traseira.

Mas as pessoas querem exterminar o que os outros dizem para elas que é ruim. Então, para elas, o mal (representado na figura do brasileiro morto na Indonésia) foi arrancado da Terra, assim como Hitler queria arrancar o mal que ele via nos judeus e nos que não pertenciam à raça ariana. E, enquanto isso, esses brasileiros seguem dirigindo bêbados, seguem jogando escondido no bicho, seguem indo à zona para trair a mulher, seguem fazendo sexo com o vizinho enquanto o marido está no trabalho, seguem ficando com o dinheiro da carteira achado na rua, seguem estuprando pois não há uma lei “como na Indonésia”, seguem tentando subornar policias, seguem sendo subornados, seguem tentando furar filas em bancos, seguem ficando sentados nos ônibus enquanto os idosos ficam em pé… enfim, seguem sendo brasileiros com espírito de Hitler. E seguem indo à igreja todo domingo, achando que aquele pelo qual rezam nada vê, nada entende… De repente, ele realmente acredita na balela proferida por Galvão e outros de que Deus é brasileiro – um ser fácil de ser tapeado.