Volta aos velhos tempos

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Noite de quarta-feira, chego ao estádio Olímpico e, antes de fazer o credenciamento na sala de imprensa, olho para o lado e vejo Danrlei, Paulo Nunes e Carlos Miguel dando entrevista para repórteres da Rádio Guaíba. Como jornalista e gremista, preparo-me para tirar fotos, quando de repente recebo um cutucão no ombro e ouço uma voz dizendo “com licença”. Olho para o lado e vejo o eterno ídolo tricolor Jardel querendo um espaço ao lado de seus ex-parceiros do melhor time que os gremistas já viram nos últimos tempos.

Gravo algumas entrevistas, tiro fotos, e sigo meu rumo direto para as cadeiras do Olímpico. A noite estava fria, mas com a derrota do Inter mais cedo e os empates de Atlético-MG e Fluminense, ficou agradável. E, chegou até a esquentar com os dois gols do Grêmio. Só não esquentou mais em função do baixo público. Apesar do embalo da vitória do Gre-Nal, da importância do jogo e da qualidade do adversário, apenas 21 mil gremistas compareceram ao Olímpico. O frio e o horário, obviamente, contribuíram para o sumiço dos gremistas na Azenha. Mas, mesmo assim, pelo menos umas dez mil pessoas a mais seria razoável.

Dizer que o Grêmio está “encaixado”, que o Luxemburgo acertou o time, etc, já virou lugar-comum. Depois de um primeiro semestre sem títulos, mas com uma estabilidade no time, o que está acontecendo é a implantação da filosofia do velho e bom Luxemburgo. Essa está sendo a diferença entre Grêmio e Inter atualmente. Ambos têm jogadores de qualidade, experientes e que jogam muito, porém, enquanto no Inter os jogadores estão correndo desordenadamente atrás da bola, no Grêmio, se Elano e Gilberto Silva não podem jogar, Naldo e Marquinhos entram em campo sabendo exatamente o que tem que fazer para não comprometer o sistema tático. Fernandão é ídolo, sempre será, mas não é um bom treinador. Ou, talvez, até venha a ser, mas ainda não tem maturidade para comandar um grupo que conta com grandes jogadores, como o melhor jogador da última Copa e o artilheiro das últimas Olimpíadas. Isso ele vai aprender com o tempo, mas às vezes a humildade faz bem: seria melhor para ele começar com um clube menor, para pegar o jeito.

E, por fim, vale ressaltar a surpreendente recuperação de Ânderson Pico. Confesso que, logo que o Luxemburgo veio com o papo de recuperar o Ânderson Pico, fiquei indignado: lembrei da passagem apagada dele por Santo Ângelo. Pensei: estão malucos? Agora, sim, a casa caiu… Entretanto, ainda bem que eu estava completamente errado. Pico não é nenhum craque, mas faz bem o que se espera de um bom lateral: marca forte e cruza com preciosismo. Consegue fazer o que há muito os laterais do Grêmio não conseguiam, desde os tempos de Roger e Arce: botar a bola na cabeça do atacante.

Enfim, com Luxemburgo acertando o time, com jogadores de ótimo nível, como Elano, Zé Roberto e Gilberto Silva, e com surpresas como Ânderson Pico, é possível nós, gremistas, sonharmos que os bons tempos estão querendo voltar ao estádio Olímpico. Aliás, ganhar o Brasileiro ou a Sul-Americana seria uma despedida à altura da velha casa tricolor.
Um bom final de semana a todos.