10 “armadilhas” que pegam quem foge da poupança

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1) Mostrar a rentabilidade sem descontar a inflação: Algumas instituições mostram as rentabilidades de suas aplicações como verdadeiros tesouros. Mas não mostram de fato o que o cliente ganhará em valores reais por não descontarem a inflação. Se a inflação for superior ao rendimento, este não terá sido suficiente para manter o poder de compra do investidor. Ao considerar a rentabilidade de qualquer investimento, é preciso descontar a inflação para se obter o ganho real.

2) Omitir a taxa de performance: Em alguns fundos de investimento, existe a chamada taxa de performance, cobrada quando o fundo alcança um indicador escolhido como parâmetro, o chamado benchmark. São exemplos de benchmark a taxa de juros CDI e o Ibovespa. Assim, todo o rendimento que excede esse parâmetro sofre a taxação. Ocorre que algumas instituições não informam que existe esta taxa ou como ela funciona. O CDI mensal não tem ido muito além de 0,65% ao mês. Por isso, se considerado o desconto do imposto de renda, da inflação e da taxa de administração, não é difícil que investimentos atrelados ao CDI rendam abaixo da poupança.

3) Não explicar o que é CDI: O CDI é muito usado como parâmetro sobre o rendimento de aplicações de renda fixa. Sem saber quanto vale o CDI, muitos clientes não entendem qual é a real rentabilidade de determinados investimentos. O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é a taxa praticada nos empréstimos feitos entre os bancos. A taxa média diária do CDI é usada como referência para o custo do dinheiro (juros), por isso ela varia conforme a expectativa de crescimento ou redução da taxa Selic. Sendo assim, o CDI pode variar bastante e para pior, como ocorreu no último ano.

4) Promessas de 100% do CDI mais x%: Não raro, são prometidas rentabilidades de 100% do CDI mais um determinado percentual. E muitas instituições realmente entregam ao cliente isso. O problema é que, na maioria dos casos, o tal “x%” incide sobre o CDI e não sobre todo o dinheiro investido. Como exemplo, uma remuneração de 100% do CDI (0,65%) mais 4% não totalizará fantásticos 4,65% de rentabilidade. O que o cliente receberá na verdade será 100% do CDI mais 4% sobre o CDI, ou seja, 0,68%.

5) CDBs Progressivos vendidos como ótima pedida: Os CDBs progressivos, que oferecem uma remuneração maior quanto maior o prazo, também são oferecidos como um grande espetáculo. O problema é que, se por um lado eles oferecem uma rentabilidade maior no longo prazo, por outro lado, a remuneração fica bem menor quando se resgata o dinheiro ainda no início da aplicação, como se fosse uma penalidade. Esse tipo de CDB, em bancos grandes, costuma remunerar o valor aplicado a 85% ou 90% do CDI e só atinge a remuneração de 100% do CDI após dois anos – isso quando alcançam essa remuneração-, o que dificilmente ocorre em grandes bancos se o investimento não for vultoso.

6) Venda casada: A venda casada ocorre quando a instituição vincula a venda de um produto à compra de outro. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, essa prática é proibida, mas isso não tem impedido que alguns bancos condicionem a concessão de um empréstimo ou financiamento à compra de um título de capitalização ou seguro.

7) Empurrar CDB: O CDB pode ser uma aplicação vantajosa dependendo da sua remuneração, do prazo de investimento e da quantia aplicada. Mas, muitas vezes, outras aplicações podem valer mais a pena, sobretudo se o referencial forem os CDBs de bancos grandes. Os recursos captados com os CDBs são usados pelos bancos para empréstimos aos clientes. Eles pagam menos de 1% ao cliente pelo investimento no CDB e cobram taxas maiores, como 3% ou 4% em empréstimos. Por ser uma forma barata de o banco captar dinheiro, poucas vezes as instituições financeiras oferecem outras aplicações.

8) Dizer que instituições menores não têm garantia do FGC: Produtos com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), como a poupança, o CDB e a LCI, têm a mesma garantia, seja a instituição financeira grande ou pequena. Em caso de quebra da instituição, o FGC reembolsa os prejuízos até um limite de R$ 70.000, por CPF, por instituição financeira.

9) Alegar que os bancos grandes sempre entregam a melhor rentabilidade para o CDB: Nem sempre a aplicação em CDBs diretamente com os bancos que emitem os títulos é a melhor opção, segundo o diretor da HPN. Corretoras, assessorias de investimento e gestoras podem conseguir negociar taxas maiores para os seus clientes.

10) Vender título de capitalização como investimento: Vendido como investimento, na verdade os Títulos de Capitalização (TC) funcionam mais como um jogo de loteria. Por ser um produto que faz parte da cesta de metas de todo gerente de banco, ele é empurrado ao cliente com o argumento de que sua remuneração é igual à da poupança e ainda dá a chance de o cliente concorrer a prêmios. Os TCs vendidos como poupança programada não oferecem o rendimento sobre todo o dinheiro investido. Apenas a chamada cota de capitalização é rentabilizada e o restante é destinado à cota de carregamento (uma espécie de taxa de administração) e à cota de sorteio, destinada aos prêmios. Em um exemplo comum de TCs, apenas 10% do valor das três primeiras mensalidades vai para a cota de capitalização para ser remunerado por uma taxa de juros. Do quarto ao 23º mês, 90% do valor da mensalidade vai para a cota de capitalização e, do 24º ao 48º mês, 97,98%. Como nos primeiros meses o banco “come” boa parte do investimento e nos meses seguintes, apesar de “comer” menos, o valor total não é rentabilizado, é impossível que o título renda tanto quanto a poupança de fato. Em geral, o máximo que o cliente consegue é reaver seu dinheiro sem qualquer rentabilidade, já defasado pela inflação.

Como se não bastasse, esses produtos têm longos período de carência. Em muitos casos, o cliente só recupera o seu dinheiro – que poderia ter ficado embaixo do colchão, podendo ser tirado a qualquer momento – depois de cinco anos. A única vantagem do produto, então, é para o sorteado. Mas, para quem tem sorte, a Mega Sena pode pagar um prêmio muito maior. Ótimo final de semana!