Casas de Investimento Independentes

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Diariamente recebemos diversos questionamentos sobre os investimentos via bancos. Temos observado alguns paradigmas nas concepções dos investidores em relação às instituições bancárias e isso serve como base para o artigo.

Primeiramente, precisamos responder a uma pergunta elementar: É melhor investir através dos bancos?

O sistema financeiro funciona como um ambiente de troca entre os agentes que ganham mais do que gastam (superavitários) e os que gastam mais do que ganham (deficitários).
O primeiro grupo empresta a sua sobra de capital em troca de juros acordados no momento do empréstimo e o segundo grupo, que toma crédito no mercado, paga juros em troca de crédito para equacionar a sua falta. Mas, quem fica no meio deste processo? Os intermediários financeiros, em sua maioria, os bancos.

Para entender um pouco melhor a função dos bancos neste processo vamos compreender e avaliar a definição do spread bancário. Spread bancário é a diferença entre a taxa que o banco paga pelos recursos do superavitário (via CDBs, por exemplo) e o que ele recebe de taxa emprestando dinheiro ao tomador de crédito (crédito direto, por exemplo). Vamos a um exemplo prático: enquanto os juros de cartão de crédito giram em torno de 11% ao mês, o rendimento de um CDB não chega a 1% na grande maioria dos casos. Essa diferença de 10% é um lucro do banco, também conhecido spread bancário, portanto, quanto menos a instituição paga e mais ela cobra, maior será o seu lucro.

Atualmente, no modelo de negócios brasileiro, os bancos disponibilizam aos seus clientes apenas produtos de marca própria. Sejam fundos de investimento, CDBs ou previdências, os produtos serão sempre os do próprio banco.

Caso o investidor encontre um fundo melhor que o seu, ou um CDB que remunere mais, ele precisará necessariamente abrir uma conta em outra instituição, correto? Errado.

No mundo tido como desenvolvido, mais de 60% das aplicações financeiras são feitas em instituições classificadas como investment house (ou simplesmente, shoppings financeiros). Estas instituições possuem uma “arquitetura aberta” de produtos, trabalham de forma independente, disponibilizando em sua “prateleira” os melhores fundos, os melhores CDBs e as melhores previdências, sem nenhuma preferência pelo Banco A ou o Banco B, pois são instituições que trabalham com praticamente todas as “marcas”, as deixando em uma posição bastante isenta para com o investidor. Estas são instituições orientadas para dar lucro aos seus investidores e não para as instituições que tem os produtos. Nestas, através de um cadastro único, o investidor consegue acessar as melhores instituições e investimentos do país. Já pensou como seria bom ter acesso aos melhores produtos de investimento através de uma única conta, sem ter que depender de objetivos que não sejam os seus e sim de uma instituição orientada para gerar spread? Isso já é possível no Brasil.

As investment houses brasileiras já trabalham com produtos dos mais diversos bancos, com diversas seguradoras de previdências, fundos de investimentos, CDBs, etc, oferecendo assim, os melhores produtos em termos de custo, rentabilidade e segurança, sem compromisso com a instituição emissora, apenas com o investidor, buscando a melhor rentabilidade para os investimentos realizado. Nos Estados Unidos, mais de 80% dos investimentos são realizados em casas independentes e tenho certeza absoluta que é isso acontecerá no Brasil daqui alguns anos.

Ótimo final de semana para todos!

Créditos: Site Vallianza