Escolhendo sua aplicação financeira

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Como não há mais investimentos sem risco, com liquidez e alta rentabilidade, o investidor moderno precisa conhecer o seu perfil e ser disciplinado para obter retorno extra. As alternativas existentes no mercado são amplas. Mas esses produtos não são adequados a todos os investidores. Cada um atende a um público específico. É necessário ter isso em mente.

Antes de investir é preciso poupar. Há uma diferença sutil entre poupar e investir. Poupar é uma etapa anterior. Significa acumular recursos, economizar. A próxima etapa é saber por quanto tempo esse recurso pode ficar aplicado, para que será utilizado. Por isso, o aplicador precisa saber como se comportarão suas receitas e despesas para ter noção de quando precisará dispor dos recursos. Elaborar um orçamento é importante. Eu sei que dá trabalho, é chato, mas é necessário. Planejamento passou a ser fundamental. O improviso tende a lhe empurrar para investimentos não apropriados. De posse dessas informações pode-se escolher o investimento mais adequado. Não há mais aplicações com liquidez e alto retorno. Com isso, não se pode querer obter uma rentabilidade extraordinária sobre uma mera sobra de caixa que será utilizada nos próximos 30 dias ou mesmo nos próximos seis meses. Aqui reside uma das principais confusões do investidor brasileiro. Será necessário se habituar a esse novo cenário. Para recursos que serão usados em um horizonte curto de tempo não há muitas opções. O objetivo deve ser manter o poder de compra, aplicar em algo que ao menos reponha a inflação do período. A atenção deve ser redobrada, pois até mesmo investimentos antes considerados mais conservadores têm apresentado variação negativa. De acordo com levantamento feito por Marcelo d’Agosto, responsável pelo blog “O Consultor Financeiro”, 18% dos fundos de renda fixa e multimercado apresentaram rentabilidade negativa entre a primeira reunião do Copom no ano (em 16/01) e a segunda (em 06/03). E entre 6 e 18 de março, 27% dos fundos tiveram performance negativa. Assim, para a parcela que será utilizada logo ou para a reserva emergencial – aquela para caso de perda de emprego ou problemas de saúde – deve-se privilegiar a liquidez e a baixa volatilidade. Mais e mais a consultoria para investimentos será necessária e importante.

Assim, conseguir formar uma reserva para o longo prazo assume caráter vital nos dias de hoje para se obter uma rentabilidade adicional. O Brasil passou a obedecer aos livros de finanças. Quanto maior o prazo, maior a rentabilidade. O título público NTN-B ilustra bem a importância de se pensar no longo prazo, de manter aplicações por um período extenso. Esse título garante inflação medida pelo IPCA mais os juros pactuados no momento da compra. Contudo o papel pode oscilar, apresentando variação negativa em determinados períodos. Nesse caso, se o investidor o vender, amargará prejuízo. Contudo, caso o mantenha até o vencimento, o aplicador terá seu título garantido pelo governo federal rendendo inflação mais juros reais. Nada mal. Os CDBs dos bancos também obedecem a essa lógica. Caso se sacrifique a liquidez diária e se aceite um prazo maior, a rentabilidade também aumenta.

Além de aumentar o período de investimento, outra forma de obter rentabilidade extra, é assumir mais riscos. Nesse caso, ações passam a ser uma boa opção. Você já deve ter escutado que a bolsa brasileira tem ido mal nos últimos anos. Não é verdade. O Ibovespa tem tido mau desempenho, mas ele não é um bom referencial para o mercado acionário brasileiro. Gestores que possuem maior discricionariedade para formar suas carteiras têm tido boa performance. Por exemplo, o Clube de Investimentos nos últimos 4 anos obteve retorno acima de 213%!! Vale a pena estudar essa opção ainda desconhecida da maior parte dos brasileiros. Se você considera a bolsa mera ‘jogatina’, reduto de especuladores, é hora de rever seus conceitos como dizia o antigo comercial. Mas rentabilidade não é tudo. A primeira (e às vezes única) preocupação do investidor é com o retorno. Se a aplicação A rende mais do que a B, logo A é melhor do que B. Parece lógico. Mas não é bem assim. Essa afirmação, embora revestida de uma pretensa verdade, é ilusória. Qual o risco que esse investidor assumiu para obter essa rentabilidade? Há ferramentas como o índice de Sharpe que mede não apenas o retorno, mas também a oscilação do investimento. Em tese, uma aplicação é mais bem sucedida quando há uma combinação melhor entre essas duas variáveis.
Há investidores que gostam de renda periódica. O fluxo constante lhes traz maior conforto. Para esses, há os fundos imobiliários de renda, as já citadas NTN-Bs e as ações com seus dividendos.
Como se pode ver, existem vários tipos de investimento. Basta você conhecer o seu perfil para escolher aquele mais adequado às suas necessidades. Um grande abraço!