Oito pontos que devem ser considerados pelo investidor

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1) Excessiva popularidade pode ser prejudicial ao seu bolso. O investidor que acompanha os negócios na Bovespa já deve ter observado como alguns papéis têm uma imensa popularidade. São companhias com as mais variadas características, desde micos em estado pré-falimentar a blue chips. A popularidade acaba atraindo uma legião de pessoas nem sempre capacitada para avaliar se as ações em voga estão baratas. No entanto, é imprescindível saber que muitas vezes a popularidade de algumas companhias é inversamente proporcional aos seus fundamentos ou ao tamanho real da oportunidade. Leia-se Petrobrás. Saber analisar o que efetivamente é uma oportunidade é a melhor maneira de não fazer péssimos investimentos.

2) Observe o ROE. O retorno sobre o patrimônio líquido é um excelente indicador de eficiência de uma companhia. Para calculá-lo, basta dividir o lucro líquido do período de 12 meses pelo patrimônio líquido. Empresas com alto retorno são as melhores. Aquelas que conseguem uma rentabilidade inferior ao da taxa Selic devem ser evitadas, salvo se o preço é irrisório ou se há evidências de que o momento ruim da empresa ficará no passado. Toda vez que uma companhia retém lucro e tem um retorno patrimonial abaixo das taxas de menor risco no mercado, o investidor estará perdendo dinheiro, pois se aquele resultado fosse distribuído, ele mesmo conseguiria um retorno melhor numa simples aplicação financeira.

3) Cuidado com dívida líquida crescente. Diversas companhias costumam apresentar dívida líquida crescente, sem que esteja acontecendo investimentos em capacidade produtiva ou em capital de giro. O grande temor se dá quando, apesar de existir bons lucros no balanço, a dívida líquida permanece aumentando. É um sinal de perigo decorrente da possibilidade de despesas estarem sendo contabilizadas como ativo. É deste expediente, inclusive, que se utilizaram companhias no exterior em alguns escândalos contábeis. A empresa com atividades normais, boa lucratividade, com redução da dívida líquida e o pagamento de bons dividendos dificilmente será palco deste tipo de dor de cabeça para o investidor.

4) Lucros não recorrentes devem ser considerados com lupa. Muitas companhias ficam atraentes nos indicadores fundamentalistas em virtude de ganhos que não se repetirão no futuro. Os lucros que decorrem das atividades operacionais habituais são aqueles que estarão presentes nos anos seguintes, salvo mudanças concorrenciais ou macroeconômicas muito fortes. Já os resultados que advém de fatores não recorrentes, como a venda de ativos, ganhos de causas judiciais, entre outros, provavelmente não estarão de novo no balanço e, com isso, os indicadores de outrora atrativos, de um trimestre para outro, podem deixar de ser.

5) Observe o que se passa na macroeconomia. Em determinados momentos, empresas de um setor inteiro vão bem e, na sequência, passam a enfrentar sérios problemas. É bom que o investidor saiba que nem sempre isto se deve a uma questão interna de uma companhia, e sim faz parte de uma conjuntura mais ampla. A situação das siderúrgicas ilustra muito bem este fator. Quando a China importava aço do mundo inteiro, o preço do produto estava nas alturas e as margens eram muito relevantes. De repente, a capacidade produtiva do país asiático ficou maior que o seu próprio consumo e, de importadora, passou a inundar o mercado mundial com o aço. Os preços despencaram enquanto os custos de produção permaneciam se elevando, inclusive no Brasil.

6) Excesso de confiança pode ser prejudicial. Alguns investidores acabam estudando uma companhia e passam a acreditar tanto numa tese que perdem a capacidade crítica de perceber quanto as coisas começam a dar errado e afundam junto com suas decisões. Ninguém é infalível e montar um método para evitar que um erro possa lhe arruinar as finanças é essencial. Investidores que acreditaram em algumas empresas pré-operacionais, como várias empresas de Eike Batista, pagam atualmente caro por terem se concentrado em ativos com ausência de histórico.

7) Não tenha medo do lucro. Um dos erros mais comuns dos investidores é se contentar com uma alta modesta quando sua escolha de ações é correta e permanecer com aquelas que estão caindo apenas para não “realizarem o prejuízo”, como se os preços por si só fossem suficientes para justificar as decisões de compra e venda. O lucro inicial decorrente da valorização acionária parece queimar as mãos de alguns investidores que sentem um necessidade insaciável de logo se desfazer do ativo. Grandes investidores não tem medo de lucrar o quanto for necessário.

8) Empresa não basta ser boa, tem que estar barata. O investidor deve fazer o dever de casa: analisar bem a alternativa escolhida, observar o histórico de resultados, quais são as margens do negócio e as perspectivas futuras. O que impulsiona as cotações no longo prazo de uma companhia é a diferença entre as expectativas já precificadas e aquelas que de fato ocorrem. O objetivo deve ser encontrar uma boa companhia, com um bom preço, permitindo a colheita de bons lucros futuros, a medida que o mercado perceba o que você visualizou antes.

Um ótimo final de semana para todos!