Plano Real, 20 anos

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Foi pouco noticiado na mídia os 20 anos do Plano Real, completados no dia 1º de julho. Os avanços foram gigantescos na economia e podemos destacar a previsibilidade, resultando em um aumento da economia real. Semana passada, estive em uma entrevista para um importante programa de rádio de nossa Cidade, na qual fiz uma pesquisa visando preparar-me. Alguns pontos chamaram-me atenção: – Tivemos inflação de 1621% em 1991 e a causa da inflação era sobretudo os altos gastos do Governo, que gastava mais que arrecadava gerando déficits que eram pagos com a impressão de moeda. Mais moeda e menor quantidade de bens causou a inflação;

– Plano Real era baseado em cinco pilares:

1) Zerar déficit público: tivemos aumento de impostos em 5% para todos os impostos; 2) Desindexar economia: para retirar a “memória inflacionária” sendo criada a URV, que basicamente era a oscilação do dólar no dia anterior; 3) Indexar a economia ao dólar; 4) Abertura da economia por meio da diminuição das tarifas à importação; 5) Aumentar as reservas internacionais.

O Plano Real foi um acerto depois de sete planos econômicos malsucedidos. Tivemos gigantescos avanços. Hoje reclama-se de uma inflação de 7%, porém isso seria motivo de comemoração antes do Plano Real.
Atualmente vivenciamos a Segunda Fase do Plano Real, que iniciou em 13-01-1999 e é baseado no tripé Câmbio Flutuante; Metas de Inflação e Superávit Primário.

Não ia ter Copa?

Interessante indagação do Site Dinheirama que menciona que vivenciamos um período interessante: a Copa do Mundo de Futebol, que está chegando ao seu último estágio e a explosão de sentimentos patrióticos entre lágrimas e emoções, contrastando com aqueles que preconizaram o “Não vai ter Copa?” Não precisamos resgatar muito para lembrarmos que em junho vivenciamos um período de idas às ruas principalmente contra a Copa do Mundo, causando uma indignação geral. Havia um sentimento quase uníssono que a Copa não era bem-vinda e que, corretamente, havia tantos outros problemas mais importantes em áreas como saúde, educação, transporte público e infraestrutura. Essas manifestações tomaram conta do noticiário, onde muitas pessoas tinham como a figura do Governo e da Fifa, como causadores de alguns males, onde tivemos também críticas exacerbadas contra os estádios e obras, que gastaram mais tempo e dinheiro do que o planejado e divulgado inicialmente, só tornava essa relação ainda mais explosiva. Pois é! O tempo passou e as críticas foram se dizimando, as pessoas esquecendo-se dos gastos e atrasos e cá estamos, empolgados e com a bandeira do Brasil nas janelas e nos carros, mostrando ao mundo todo que somos brasileiros, com muito orgulho e com muito amor. Uma pergunta que surge: será que somos pautados por interesses da mídia? Querendo ou não, somos influenciados diretamente e todos os dias, pelo noticiário e por interesses que transformam nossas vontades e instigam nosso senso de justiça. Ao mesmo tempo em que queremos protestar por tudo de errado que o país realmente apresenta, não deixamos de esperar ansiosamente pelo Carnaval para festejar e fazer de conta que os problemas simplesmente não existem. É verdade que os protestos perderam um pouco o apoio popular porque não surgiram líderes capazes para levar adiante o movimento, criando e discutindo uma pauta de reivindicações e com caminhos alternativos pautados em propostas factíveis afim de resolver as demandas do país.

O clima que se instaurou no Brasil recentemente é preocupante: as pessoas passaram a enxergar engajamento político como uma torcida por um time favorito. Em um exagero estranho, qualquer cidadão enxerga política em qualquer coisa, pessoa ou opinião. Vejo que existe hoje em dia um ódio exagerado e exposto na sociedade. Os avanços que foram construídos ao longo das últimas duas décadas são importantes demais para o país. A realidade, no entanto, parece outra: interesses pessoais soam mais importantes para muita gente do que o entendimento e a busca por um momento de conciliação. Nessa altura do campeonato, ninguém pode ser ingênuo o bastante para não perceber que e sentimento de que muita coisa precisa mudar (e de fato precisa!) não se transformará em resultados a partir de instrumentos de violência e aposta no “quanto pior melhor”. Muitos dos que saíram para protestar e gritar “Não vai ter Copa!” são os que hoje cobram a vitória a qualquer custo do time brasileiro e protagonizaram cenas lamentáveis nos estádios, como a vaia durante o hino do Chile, para ficar em apenas um exemplo.

Os caminhos da mudança são construídos com base no entendimento e no debate, não na imposição. As pessoas precisam entender e buscar uma alternativa que passe por mudanças que tenham como foco a criação de melhores condições de crescimento, e não a simples destruição do que foi alcançado até aqui. Somos uma nação jovem, que precisa resolver inúmeros desafios com reformas estruturais de peso. Não podemos fechar os olhos para a corrupção, desmandos, intervenções e coleguismo. Acredito que só a mudança de postura das pessoas poderá dar fim ao eterno estado de espírito “GRENAL” ou o “Nós X Eles”. Não estamos aqui para medir quem é melhor ou pior. Estamos aqui para conversar e criar oportunidades. O Brasil precisa de mais diálogo (político e social) sobre pautas realmente importantes – a sociedade precisa aprender a cobrar com uma postura digna de cidadania e renovação, ou seguiremos reclamando e comemorando sem sair do lugar.