Por que acredito que 2012 será um ótimo ano para a renda variável

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 A cada início de ano profissionais do mercado financeiro realizam projeções sobre os retornos dos mais variados investimentos. Sendo assim, também procuro realizar essas previsões. Para essas projeções busco embasamentos sólidos que validem o que acredito. Sem achar algo por achar, sem emocional, mas buscando a lógica para as conclusões. Especialmente sobre 2012, acredito que esse será o ano de investimentos em renda variável comparado com outros investimentos. Bom e por que desse pensamento? Buscarei abaixo enumerar os fatores que acredito balizarem isso.

1) Índice Ibovespa está a três anos “andando de lado”, ou seja, vem pontuando entre 50.000 e 70.000 pontos. A economia brasileira vem crescendo em média 3% ao ano e nesse período já nos tornamos o 6º maior país mundial em termos econômicos;

2) Fluxo financeiro vem aumentando para o Brasil, ou seja, os estrangeiros já ingressaram no mês de janeiro com mais de R$ 5,3 bilhões apenas nesses 20 primeiros dias. Esse fluxo se dirige para economias que estejam crescendo, caso que não é dos países da Europa e é o caso do Brasil, como foi visto no item um. Só para efeitos de comparação em 2009, no ano todo foram R$ 20 bilhões direcionados para o Brasil pelo investidor estrangeiro e o Ibovespa subiu 82,6% naquele ano. Repetição? Não sei, mas que o fluxo financeiro demonstra-se forte nesse início de ano, isso é fato;

3) Taxas de juros no Brasil e no mundo estão caindo como forma de incentivo à economia pelos governos mundiais. A taxa de juros Selic está em 10,5% e há projeções através do relatório FOCUS (compilação de opiniões dos maiores bancos brasileiros) que chegue esse ano a 9,5%. O que isso significa? Menor atratividade para a renda fixa, aumento no consumo, no investimento pelas empresas e também na rentabilidade de investimentos em renda variável;

4) Banco Central Europeu aumentou há um mês a liquidez para bancos europeus que necessitarem, despejando € 489 bilhões de euros no mercado sob a forma de empréstimos. Além disso, o Banco Central Americano (FED) estuda medidas semelhantes e até um Quantitative Easying 3 (QE3). Para quem não se recorda foi através do QE3 que as commodities valorizaram-se absurdamente nos últimos 5, 7 anos. Quem é um dos maiores produtores mundiais de commodities? Adivinhe…

5) Aprimoramento do investidor brasileiro que está se conscientizando que a poupança e seus 6,5% ao ano não tem retorno superior que a própria inflação. Há retornos maiores em outros investimentos e que possuem o mesmo risco que a poupança. Com uma maior sofisticação do investidor brasileiro, ocorrerá uma migração gradual para outros investimentos, entre eles a renda variável com um peso condizente com o risco da carteira do investidor;

6) Fator Dilma, que sinaliza querer crescimento de no mínimo 4% na economia brasileira. Sabemos a personalidade de Dilma, quando coloca algo na cabeça…

7) Ações brasileiras descontadas. O mercado de ações como um todo no Brasil, está descontado perante outros mercados emergentes do mundo. Estamos com um P/L próximo a 10,5 enquanto que a média dos últimos cinco anos foi de 13. O P/L é o preço que se paga por um negócio dividido pelo lucro que esse negócio tem e reflete em quantos anos teremos o retorno de nosso investimento, se o lucro das empresas não aumentar. Empresas com boa administração têm os seus lucros aumentados e não diminuídos com o tempo;

8) Taxas de inadimplência caindo. Há três meses as taxas de inadimplência do consumidor brasileiro vêm caindo. Isso faz com que a provisão que os bancos separam para esses possíveis calotes diminua, passando essas possíveis contingências para o lucro líquido dos bancos. Sabemos das taxas altas que alguns bancos cobram, porque não sermos sócios deles? Ademais há vários bancos ainda negociados abaixo do seu patrimônio líquido;

9) Estados Unidos surpreendendo. Os Estados Unidos estão demonstrando uma recuperação que vem surpreendendo muitos investidores. Número menor de pedidos de seguro-desemprego, baixa na taxa de desemprego, confiança dos empresários entre outros itens demonstram uma melhora acentuada;

10) Fator China. Ao contrário do que muitos pensavam sobre a China sofrer um hard landing (pouso forçado) ou uma desaceleração forte, a China vem desacelerando através de um soft landing (pouso leve), o que é ótimo para o Brasil.
Enfim, essa é a minha opinião e os fatos que me fazem acreditar em um ano especial para a renda variável. E você o que acha? Os argumentos são fortes? Qual a sua opinião?

Bom final de semana!