Quantitative Easing 3 e a grande quantidade de dinheiro no mercado

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Na semana passada, um fato importante aconteceu na economia americana. Ben Bernanke, presidente do Banco Central Americano, cuja sigla em inglês é FED, surpreendeu o mercado ao propiciar uma nova rodada de estímulos à economia americana. Porém, dessa vez, o incentivo econômico veio de forma turbinada, pois o plano atual, ao contrário dos anteriores, não tem data para terminar. O pacote veio com as seguintes características:

– recompras de títulos imobiliários ou garantidos por hipotecas de bancos americanos, injetando no mercado, por mês, US$ 40 bilhões, até quando a economia americana mostrar sinais fortes de recuperação, principalmente melhoras relacionadas ao mercado de trabalho;

– manutenção da taxa básica de juros perto de zero até 2015 (no Brasil, a taxa básica de juros, uma das mais baixas da história está em 7,5% ao ano);

– juros de longo prazo continuarão sendo reduzidos, através da operação Twist, que prevê a compra de papéis do Tesouro no longo prazo e venda de curtos no mercado, visando a redução das taxas de longo prazo.

Todas essas medidas, juntas, irão colocar aproximadamente mais de US$ 85 bilhões ao mês, no mercado, até o final do ano, sendo o terceiro pacote de ajuda anunciado pelo FED, desde 2008. Os pacotes anteriores destinaram mais de US$ 2,3 trilhões em recursos para o mercado.

Atuações similares de bancos centrais no mundo
Banco Central Europeu (BCE)
Não somente nos Estados Unidos, mas outros bancos centrais do mundo estão realizando procedimentos semelhantes. Devido à crise, Portugal, Espanha, Itália e Grécia tiveram o custo para financiar suas atividades elevadas drasticamente, sendo assim, o Banco Central Europeu (BCE), através do seu presidente, o italiano Mário Draghi, iniciou um processo de recompra de títulos soberanos, principalmente títulos públicos espanhóis e portugueses, gerando como reflexos a diminuição no custo de financiamento para esses países. A redução da taxa de juros, outra política econômica usada pelo BCE, manteve os juros no menor patamar da história da Europa, ou 0,75% ao ano.

Banco Central Japonês
Recentemente, o Banco do Japão decidiu expandir o programa de compra de ativos e de empréstimos, atualmente sua principal ferramenta de afrouxamento monetário, em 10 trilhões de ienes (127 bilhões de dólares), sendo o dobro da quantia habitual. O estímulo total é agora equivalente a quase um quinto da economia japonesa.
Banco Central do Brasil

Nos últimos anos, tivemos uma redução drástica nas taxas de juros, visando incentivar a economia. Recentemente ocorreu a diminuição do compulsório, que é a taxa que os bancos recolhem sobre empréstimos recebidos. Isso faz com que mais dinheiro esteja disponível na economia.

O Brasil vem aumentando a interferência, não apenas de seu Banco Central, mas na economia como um todo. Estamos em um período denominado de Bull market in politics, isso é, a política exercendo uma interferência acima da média no setor econômico. Tivemos alterações nas tarifas de energia elétrica, gerando reflexos positivos para o setor industrial e que necessita de intenso uso de energia; aumento de impostos para importações, protegendo a indústria nacional, porém gerando reclamações dos Estados Unidos. Temos um “controle” na cotação do dólar, na qual o governo faz de tudo para desvalorizar o real, o que é benéfico para a indústria nacional também.

Mas, principalmente a redução nas taxas de juros. Esse fato veio para ficar. Como consequência cito a redução no retorno da renda fixa, que fará com que os investidores tomem mais riscos para obter maiores retornos.

Possíveis efeitos da atuação dos Bancos Centrais
Imediatamente após o anúncio do Quantitative Easing 3 pelo Banco Central Americano, a bolsa brasileira, Bovespa, subiu + de 3,4%, com o maior volume de negócios dos últimos cinco anos!

Como a impressora de dólares foi ligada, isso poderá dois efeitos:

1) inflação: aumento da disponibilidade de moeda no mercado, no caso o dólar, sem um consequente aumento na produção de bens. De acordo com a Lei da Oferta e Demanda, o preço dos bens tende a aumentar, gerando inflação. Não somente o preço dos bens irá aumentar, mas uma grande classe de ativos terá valorização: commodities (como soja, milho, trigo, petróleo, minério de ferro, etc.), assim como ações, principalmente ações cíclicas e ligadas a commodities.

2) desvalorização do dólar a longo prazo: para quem tem mais idade, pode lembrar das crises de antigamente. Acontecia um resfriado lá fora e a economia brasileira ficava com pneumonia. O dólar na crise de 2001, antes das eleições presidenciais através do risco Lula, por exemplo, chegou a mais de R$ 4,00. Hoje o dólar em momento de crise não passa de R$ 2,50. Isso ocorre devido à impressão de dólares pelos Estados Unidos. A tendência no longo prazo é de que o dólar desvalorize-se. Isso gera competitividade para a economia americana, de forma superficial, onde os produtos americanos são vendidos de maneira mais barata, aumentando a exportação de produtos americanos.

Um ótimo final de semana para todos!