Resumo do momento econômico

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Confesso que o andamento dos mercados nos últimos dois meses e meio tem me deixado satisfeito pelo fato de que aquilo que pensávamos seis meses atrás, de que o mercado estava como um todo muito barato, vem se confirmando. Até a data de ontem, a bolsa subia + de 20% no ano! Acreditava que setores de construção civil, varejo e bancos estavam muito baratos. Hoje vejo o setor de varejo com possibilidade menor de alta, a construção civil com alguns ativos baratos e o setor de bancos ainda barato e pagando altos dividendos, excluindo algumas blue chips (ações mais líquidas e de empresas maiores, mais tradicionais).

Para os próximos meses continuo firme na posição de que teremos momentos de alta no mercado e que mais ao final do ano, serão os ativos indexados à inflação que poderão ter boa rentabilidade. O Banco Central do Brasil (BCB), não acredita nisso, achando que teremos uma inflação muito abaixo dos 6,4% do ano passado. Uma das razões para esse meu pensamento de alta do mercado encontra-se no gráfico abaixo: a diminuição no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com o crescimento brasileiro menor resta a diminuição da taxa de juros para incentivar nossa economia. E foi justamente isso que aconteceu. Surpreendentemente a maioria do mercado esperava uma redução de 0,50% na reunião taxa básica de juros Selic. Só que o corte foi maior, na ordem de 0,75%. Lembrando: taxas de juros caindo, renda variável sobe. E é isso que está acontecendo no momento. Não somente o Brasil, mas o mundo todo no ano passado apresentou uma queda no crescimento econômico. Obviamente o Brasil cresceu mais que os países europeus e os Estados Unidos, mas mesmo assim cresceu menos do que o mercado imaginava e do que poderíamos. Com isso, os bancos centrais de todo mundo começaram a agir com o intuito de estimular a economia. Uma das principais formas de estímulo à economia é baixar a taxa de juros, favorecer a tomada de empréstimos e a emissão de moeda no mercado, que provoca uma desvalorização do câmbio, favorecendo empresas exportadoras desses países. Por isso está ocorrendo uma “guerra cambial” no mundo. Raciocínio feito, vamos aos fatos.

ATO 1:Banco Central Europeu baixou a taxa de juros básica de sua economia a 0,25% a.a., isso significa que o custo do dinheiro é de 0,25% ao ano! Só que os Títulos Públicos de alguns países e até dos Estados Unidos rendem em torno de 1% no curto prazo. Resumindo: bancos, investidores e outros agentes financeiros tomam dinheiro a um custo muito baixo e investem em Títulos do Tesouro, baixando o valor com que os países europeus têm que pagar para pedir empréstimos no mercado. Com o custo do capital diminuindo, outras opções de investimento ganham atratividade, entre elas inclui-se também a renda variável.

ATO 2: empréstimos maciços de 489 bilhões de euros em dezembro e mais 530 bilhões de euros em março por parte do BCE. Dinheiro barato e em grande quantidade é uma combinação explosiva para o mercado financeiro. Porém esse é o remédio mais fácil e possui efeitos colaterais. Muito dinheiro no mercado, sem estímulo a produção de bens, causa inflação. E é esse o pensamento que acredito que vigorará no segundo semestre: alta da inflação, inclusive no Brasil, tendo como resultado o maior retorno das ações e principalmente títulos que tenham proteção contra a inflação.
Esplêndido final de semana para todos!