Risco Dilma

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Nos últimos dias temos assistido uma grande onda de intervencionismo estatal na economia. Setores como petróleo, energia elétrica e bancário são os principais setores atingidos.

Na área de petróleo a principal empresa de capital aberto afetada é a Petrobrás. Visando controle da inflação, o Governo mantêm os preços dos combustíveis sem reajuste. Os maiores perdedores nesse caso são os acionistas e a própria Petrobrás, devido a esse fator além da ingerência política, ocasionando em queda nas ações de aproximadamente -9% no ano.

No setor de energia, o plano Brasil Maior, visando desonerar custos das empresas de bens de capital, diminuindo os custos de produção com a redução na energia elétrica, o Governo emitiu um novo ordenamento, na qual ocorrerá uma diminuição no pagamento do MW/h para empresas de energia que tenham contratos vigentes até 2015. Algumas ações caíram mais de 40% em 2012 e começamos a olhá-las como oportunidades.

Já no setor bancário, o Governo resolveu diminuir os spreads (diferença entre o dinheiro que é captado e o dinheiro que é emprestado pelos bancos) dos bancos públicos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, gerando um efeito de bola de neve, eis que bancos privados tiveram que diminuir também seus juros para não perder clientes, tornando muito menor a rentabilidade de todo o setor. Não é necessário mencionar que a maioria das ações dos bancos sentiu essa alteração.

Mas aí o leitor pode perguntar: então o investimento em ações não é uma alternativa positiva? Saiba leitor que oportunidades ainda existem, como exemplo, o clube de investimentos do qual participo ativamente e que está com rentabilidade, até o dia 03-12-2012, de 33,12% apenas no ano de 2012, que comparado com a poupança equivale a quase 7 anos de retorno! É uma das maiores rentabilidades no setor de investimentos em ações do Brasil. Quais setores fazem parte desse clube? Setores ligados ao mercado interno, principalmente posições em varejo, consumo e construção civil. Ainda há oportunidades nesses setores e não é pouca a quantidade de empresas que estão atrativas.

Os riscos Dilma e intervencionismo estatal permanecem, mas existem ainda ações com grandes potenciais de retorno, esperando para serem lapidadas.

Investidor de renda fixa demora 96 anos para dobrar poder de compra

Enquanto em 1999 o juro real era de 11,76%, este ano o juro real está em 0,72%.

Durante muito tempo os investidores brasileiros conseguiram aumentar seu patrimônio de maneira significativa investindo em aplicações conservadoras de renda fixa. Mas com a queda de juros, a realidade passou a ser bem diferente. Um estudo do banco Opportunity aponta que, com os juros no patamar atual, quem aplica em investimentos de renda fixa atrelados à Selic leva muito mais tempo para dobrar o poder de compra do recurso investido.

Enquanto em 1999 eram necessários 6 anos para que isso acontecesse, e em 2003 eram necessários 7 anos e, agora 96 anos tendo como base um uma inflação de 5,4% ao ano e alíquota de imposto de renda de 15% a.a sobre o rendimento. O estudo levou em consideração uma aplicação com retorno igual à Selic – caso de um fundo DI, que normalmente oferece rentabilidades muito próximas da taxa básica.

Na prática, com juro mais baixo, investidor leva mais tempo para conseguir dobrar poder de compra sendo a diferença muito expressiva. Em 1999, ano em que foi adotado o regime de metas de inflação, o juro real (Selic descontada a inflação) era de 11,76% no Brasil. Em 2003, ano que marcou o início do governo Lula, a taxa retorno real estava em 9,74%. Já em 2012, o juro real está em 0,72%.

Os investidores brasileiros estavam acostumados com investimentos de renda fixa que remuneravam muito bem. Agora estamos com cenário bem diferente. A renda fixa rende pouco, ainda supera inflação, mas o ganho real é muito pequeno.

Dentro deste cenário, a alternativa é diversificar o portfólio e aceitar correr mais riscos. “É natural que as pessoas passem a buscar alternativas de investimentos para conseguirem retorno. Por isso, aconselhamos àquele investidor que quer continuar com rendimentos atrativos a tomar mais risco nas aplicações”, aponta Lenz. Ao mesmo tempo, ele ressalta que aplicações mais arriscadas demandam um horizonte de tempo maior. “Quem investe em ações, por exemplo, não pode aplicar pensando em tirar o dinheiro em um prazo muito curto”, pontua.

Países desenvolvidos

Nos Estados Unidos, onde os juros são baixos há muito mais tempo, a população já migrou para ativos de maior risco. Por aqui, apenas 9% dos recursos investidos em fundos estão em fundos de ações. Nos EUA, os fundos de ações representam 45% do total investido na indústria.

Ótimo final de semana!