Jornal “A Semana”

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Foi notícia no JORNAL A SEMANA em 18 de março de 1920, sendo o diretor Seraphim Dias Ferreira:

JUSTIÇA!
Pelo exmo. sr. dr Anapio Jobim juiz d’esta comarca, foi julgada improcedente a acusação levada a juízo por mãos perversas e com fins inconfessáveis contra o diretor d’esta folha, sendo por tal motivo impronunciado do delicto que lhe foi imputado.

Começou a ouvir-se a voz da justiça.

Apagaram-se as sombras negras que vinham embaciando os horizontes da verdade. Uma forte nuvem de poeirada vermelha cobriu as faces rugosas dos amesquinhadores da dignidade alheia. Arrojadas pela ventania de um ódio implacável, partiram- se de encontro aos grandes rochedos graníticos da verdade, espumantes da raiva n’um vae- vem incessante de infâmias e misérias, as vagas furiosas da vingança.

Ouve-se aqui e além o ranger de dentes dos calumniadores, n’uma anciã insaciável de triturarem e devorarem a própria língua, crispando as unhas que lhes dilaceram as carnes.

Sombras, poeira e espuma – hypocrisia, villesa e raiva – eis os factores da infâmia, cobardemente forjada por mãos ocultas, mas que ficaram marcadas com a mancha indelével da baixesa dos próprios actos.

Sombras, poeira e espuma – eis os elementos congregados para a destruição do direito, dispostos a abalarem o pedestal de bronze, em que se ergue a majestosa e serena figura da justiça.
Suprema irrisão e suprema vergonha!

Mas ella, a impoluta justiça, sempre altiva e nobre, trilha firme o caminho da equidade, zombando dos ultrajes, sorrindo aos arreganhos ferinos dos perversos e despresando as tortuosidades escabrosas do direito.

De olhos vendados, pode brandir a espada em golpes certeiros que decepam a cabeça informe da hydra perseguidora.

Sombras, poeira e espuma – hypocrisia, villesa e raiva – negro fhantasma que se ergue terrorificante para amedrontar as almas tímidas, não conseguirão jamais cuspir as faces puras de justiça.
Ella estende os braços à inocência ofe

Sombras, poeira e espuma nada valem contra o poder leonino da justiça.

Observação: mantemos a ortografia da época.