A rosa e o cartão

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 Foi um dia antes que ela recebeu uma rosa branca acompanhada de um cartão. No cartão não dizia muita coisa, apenas uns votos de felicidade e saúde multiplicados por outros tantos anos de vida. Ela estava no trabalho, estava atolada de serviço e sem tempo para mais nada. Para piorar, era o último dia para o envio das declarações do Imposto de Renda. Seus cabelos pagavam o preço, por ter escolhido a Contabilidade como fonte de dinheiro. Estavam presos, seguros por um laço azul, mesmo ele sendo curto. O curioso foi que ao ler o cartão ela notou que o mesmo estava em sem assinatura. Ela não sabia o que dizer, todas queriam saber, porém nem ela sabia do que se tratava.

As brincadeiras surgiram, por parte das suas colegas, mas na verdade todas queriam estar na pele dela. Afinal, entre tantos papéis e fios de cabelo caídos pelo chão, uma rosa. A curiosidade tomou conta, ela queria de todas as maneiras saber quem foi o mandante, qual rapaz da sua lista de contatos seria capaz de fazer algo tão bisonho e comprometedor. Foi até a cozinha do escritório e serviu um copo d’água, colocou a rosa dentro e pôs sobre a mesa. O cartão ela deixou ao lado do maço de declarações que ainda não tinham sido enviadas. De tempo em tempo ela olhava o celular para ver se recebia alguma mensagem, algum sinal de fumaça, mas nada. Sua curiosidade só aumentava.

Ela comemora o aniversário num feriado e por isso ela recebeu um dia antes aquela rosa. Ela ainda ficaria mais impaciente, pois seu chefe havia dito que todos os funcionários deveriam fazer hora extra naquele dia para que todas as declarações fossem enviadas dentro do prazo. Com isso, ela perderia um dia de aula. Até aí tudo bem, mas ela queria mesmo era poder olhar um a um dos seus colegas, para ver se a rosa e o cartão foi obra de algum deles. Mas, mesmo que ela fosse à aula, não seria lá que ela iria descobrir algo a respeito. Trabalhou por mais três horas, isso porque se sensibilizou por uma de suas colegas que se arrastava, na verdade o seu trabalho já estava feito havia uma hora.

Indo pra casa, com a rosa e o cartão na mão começou a pensar, a deduzir, imaginar todas essas coisas que acabam com ar e ir, mas nada vinha em sua mente. Nenhum rapaz. A caligrafia era uma das pistas que ela tinha, porém como não foi à aula teria que esperar para poder comparar com a caligrafia de algum colega. O cartão também era perfumado, esta era outra pista. Mas, nem aquele cheiro era conhecido. Ao chegar, sua mãe quis saber da origem da dupla, ela riu e nada disse, apenas entrou no quarto, se despiu e entrou no banho. Ao sair, ainda enrolada na toalha ligou o computador e começou a procurar por outra pista, alguma coisa que pudesse ajudá-la, a saber, mais sobre a rosa e o cartão e o mandante. Nada.

Vestiu-se e foi comer. A mãe dela perguntou de novo a respeito da rosa e do cartão, se era de algum namoradinho. Ela riu, porém disse não saber de quem se tratava. Ela comeu, escovou os dentes e voltou pra frente do computador. As mensagens de feliz aniversário começaram a aparecer, mas nenhuma delas dizia algo a respeito de uma rosa e um cartão. Ela poderia fazer uma coisa: postar alguma mensagem dizendo, “que tipo de idiota envia uma rosa e um cartão sem assinatura?” e levando em consideração o signo dela, isso seria uma possibilidade, porém no máximo uns iriam curtir e rir da situação aumentando ainda mais a sua curiosidade. Mas, ela não o fez. Ficou sem saber. E eu, também?