Antiguidades x Modernidades

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Aquela noite eu estava me sentindo um caco. Acho que por te ver online e na tua. Pensei em te chamar, mas preferi o meu silêncio e a minha angústia. Procurei na música a tranquilidade. Vasculhei o computador e nada. Nenhuma daquelas que eu tenho ouvido frequentemente foram capazes de por um sorriso no meu rosto. Sertanejo? Pfff. Sequer tentei.

Isso só pode ser coisa da idade. Antes eu não me imaginava dessa forma: olhando pra ti, assim paralisada, pra uma foto na verdade. Eu esperava que fosse diferente, mas é que tu sabes o que quer. E é por isso que não fala comigo. Tu me deixas ali atirada e sozinha. Eu estou a fim e você sabe, mas não dá bola, continua fazendo o teu jogo de homem maduro e independente. Aí eu fico assim, feito uma garotinha que ainda sonha com o seu principezinho encantado.

Não satisfeita com as minhas canções eu apelei para o Youtube. Pesquisei algumas coisas e lá estava ela. Black. Há anos eu não me dava ao luxo de ouvir Pearl Jam. Agora depois dos vinte e poucos percebo como estou parada musicalmente falando. Malditas modinhas, porém, não posso cuspir no prato que como, eu me entreguei a elas. E olhando o vídeo e acrescentando aqui um pouco do meu egoísmo, parecia que o Eddie cantava só pra mim e não para si próprio e para a multidão que o escutava, isso tudo devido à minha tristeza. Por pouco que eu não ataquei o bar da casa a fim de entupir a cara com uma garrafa de vinho. Mas ao me lembrar do bar, eu me lembrei da estante. Fui até lá e catei as antiguidades que eu ouvia quando era mais guria. É eu cresci, eu estudei. Aprendi a usar vestido e a caminhar com salto quinze, mas essa mulher que me tornei estava chorosa por músicas daquela época. Ah se eu ainda tivesse um All Star. E tudo por tua causa. Qual é o teu problema? Será que estou errada em atirar toda a culpa sobre você por eu gostar de ti? Parece que é deboche da tua parte, só porque carrega alguns janeiros a mais do que eu tu se achas no direito de me ignorar. Eu só espero que quando tu descobrir não seja tarde.

E de frente para a estante eu os vi. Todos lindos e originais. U2, Red Hot, Pink Floyd. Pearl Jam, ah o Pearl Jam. Até um Faith no More. Alice in Chains. Garbage. Céus, como eu me esqueci disso? Ouvi um por um, só pra me sentir mais leve, mais menina. Meus olhos marejavam. Permiti-me sofrer no meu silêncio interno e absoluto, ainda bem que não havia mais ninguém em casa. A merda disso tudo é que eu sempre quero o mais difícil. O fácil me dá nojo. E outra bosta é que eu estou sendo a fácil da conversa. E já que eu não gosto de coisas fáceis, pode ser que você também não goste. Faz sentido. Então vou te esquecer. Eu consigo. Além do mais, sei do meu valor e da minha inteligência, eu sou capaz. Azar o seu meu rapaz. Mas muito obrigado, sem isso eu não teria relembrado que ainda tenho um bom ouvido para a música, mesmo sabendo que amanhã ou depois eu irei novamente me entregar aos modismos do sistema.