As lembranças, o cupido e as peruas

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E um ano passou assim, de repente. E dizer que eu, dois anos antes era o leitor destes espaços de jornal. Eu continuo sendo o que era, mas agora faço parte do time que escreve. É bom. Isso me deixa feliz. Conheci pessoas legais através disso. De todos os sexos. O mais engraçado de fazer parte desta coisa é que posso ser aqui, qualquer pessoa. Posso ser eu mesmo, outro cara, uma mulher, um gay, uma lésbica. É mesmo. Já acharam por aí que eu fosse gay. Mas tudo isso são rótulos. E eu os odeio. Mas deixando os rótulos de lado, eu não lembro ao pé da letra de todos os escritos que já passaram por aqui neste ano, mas há os que eu mais lembro: “O drama das mal…”. E devido a este texto fiquei uma semana sem aparecer por aqui, por isso nem falei o resto. Faz parte. Infelizmente aquilo faz parte da vida de muita gente. Piadas à parte, eu recordo também do texto “Mais doses de ti”. Lembro-me como se fosse hoje daquele escrito. Foi o texto mais puro que escrevi neste ano. Foi forte. Intenso e apaixonado. Fui eu mesmo sem corte e censura. Sem personagens. Só que perder também faz parte da vida, e eu perdi. Aceitei aquela perda, mas numa noite dessas, eu acabei sonhando com a Débora. Foi bom. Mas passou. Não sei onde ela anda, eu nunca mais a vi. E isso é bom.

Semana passada eu falhei com vocês, lembram? Não teve texto. Não tive tempo, quero dizer, eu não tive assunto mesmo. Também eu me lembro de ter escrito um texto na outra quinta que prometia uma segunda parte. Quiçá esta parte nem apareça por aqui. Eu acabei não gostando daquele texto, ele era muito real e a história termina mal. Mas talvez ele apareça. Eu não sei. De repente eu comece a contar as histórias de amor que apadrinhei. Penso até em copiar aquele sujeito interpretado pelo Will Smith, como é o nome dele, ora, mas que raios. Ah, lembrei o nome: Hitch. Realmente eu havia esquecido o nome do cara. Enfim. Daí tem esse filme que fala do tal conselheiro amoroso, é de 2005. Eu sou um aprendiz e, diga-se de passagem, quase preto. Estou no caminho certo. E posso dizer que foram quatro casais que apadrinhei. Dois desses quatro passaram de namorados para noivos e depois disso casaram. Os outros dois casais estão quase lá. E semana passada, um quinto casal abriu os trabalhos. Tenho, portanto, uma mão cheia para colocar no meu currículo. Acho que contar, ou melhor, escrever a felicidade dessa gente é o melhor que eu posso fazer para terminar este mês. Chamarei-me daqui pra frente de cupido, afinal, se não encontro o que é “meu”, eu encontrarei o que “é” dos outros e está bom assim. Eu gosto dos relacionamentos. Eles deixam as pessoas de bem com a vida. Elas praticam amor e sexo. Logo, ficam satisfeitas.

Quanto às aspas, fica no critério de cada um, usá-las ou não.

Mas mudando de saco pra mala eu tenho algumas perguntas: que roupa vocês irão usar na noite do dia 31? Branca? Vermelha? Paz e amor! Outra pergunta: Irão comer bastante lentilha? Dinheiro! Quem irá pular as sete ondas? São sete? Isso seria sorte? Agora a última: isso dá resultado? Eu nunca liguei pra isso. Mas não irei culpar os meus insucessos por isso. O meu vestuário e minha a alimentação não tem nada a ver com isso. Ah, mas espera aí. As ondas. É tudo culpa do mar. Do mar? Do mal? Não! Do mau, com U. Claro, só pode ser culpa do mau. Mas que mania de sempre querer achar um culpado, mesmo eu sabendo em sã consciência que não pratiquei nenhum mau com U. Onde foi que eu aprendi isso? Em casa? Na escola? Na faculdade? No trabalho? Com alguma namorada? Dane-se! Agora para terminar serei mega ultra super clichê: eu desejo para vocês minhas leitoras e meus leitores, que na verdade não têm nada de meus porque vocês são de vocês mesmos, ou seja, são livres. Isto explica o uso daquelas aspas. Enfim, eu desejo quase me esquecendo do que dizia; um belo Natal a todos. Comam bastante, mas antes, rezem pelas peruas que ficarão viúvas sete dias antes do fim do ano. Coitadas.