Banheiro público

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Há dois anos quando tu gostavas de mim, não fui capaz de perceber. Nossa amizade era tão intensa que eu deixei que ela tomasse conta da nossa relação. Com o passar dos janeiros nos afastamos, nossa amizade passou a ser somente virtual e tu conheceste outra pessoa. Apaixonou-se por ela, e consequentemente ficou com ela. No princípio eu não dei bola, pensei que seria somente uma paixão de verão. Enganei-me. Teu lance com ela já vai para o terceiro inverno seguido.

Fiquei a ver navios, amargando o gosto da solidão. Estou pensando até em procurar um médico para saber se isso é normal. Esse sintoma me causa saudade, vontade de estar perto de ti como nos velhos tempos. Mas, será que existe um médico especializado nesta área? Será um mero devaneio da minha parte, pensar dessa maneira? Porém, sabemos que não tem mais volta, tu estás feliz ao lado desta moça, que para mim não é das mais bonitas. Há homens que a comparam com a Malu Magalhães. Ela canta e, você é parecido com o Camelo.

E foi assim do nada que começamos a conversar mais uma vez e falar sobre coisas antigas. Mas te pergunto: pra que? Para confundir meus pensamentos e os seus? Não seria mais fácil cada um seguir o seu caminho, procurar novos feitiços para que não voltássemos a conversar um com o outro? Não entendo. Tu falas em medo, mas eu sei que pela mesma falta de coragem eu não te quis lá no começo e, não quero ser a responsável direta por mais uma queda na bolsa de amores.

Está na cara o que eu quero: um café, um livro e um novo amor. Tu serias, neste caso, um amor reprimido? Que somente depois da sua ausência fui capaz de perceber? Bobagem! Isso que eu disse não passa de um baita clichê. Ando lendo demais o site do Gabito. Vou tratar de apertar um e acalmar os meus nervos. Não preciso de um amor. De um livro, sim! Só que, só que… Não adianta mais mentir. Eu falei sério sobre querer um novo amor. Mas, seríamos capazes de corrermos este risco? Seríamos capazes de vencermos o nosso medo e encarar a tempestade que pode decorrer de tudo isso?

Estas trezentas e oitenta palavras até aqui não serão capazes de mudar alguma coisa, eu sei, mas servirão de consolo para que eu me acalme e não saia por aí dando gritos pela rua. É bom desabafar, mesmo que seja nesta folha de papel meio amassada. Não estou em casa, muito menos no escritório. Estou sentada aqui numa privada de banheiro público, escrevendo e pensando no que devo fazer mediante tudo isso. Coisa louca não é? Bom, já estão batendo na porta do banheiro, eu espero que tenhamos o bom senso de fazermos o que é melhor para nós todos, sim! Eu, tu e ela. Para que nenhuma das partes sofra queimaduras de terceiro grau.