Doentio, cultural ou duo?

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Lá estavam elas pela segunda vez marchando pelas ruas de Porto Alegre. Seios à vista, corpos pintados, cartazes pro alto, faixas e gritos em busca de direitos. Faz sentido, muito sentido. Acho isso muito bonito! E toda essa marcha, para os sem aviso, se deu início uns anos atrás. Foi lá no Canadá após uma série de estupros na Universidade de Toronto e após a declaração infame de um policial que disse que se elas não se vestissem como vadias, ocorrências deste tipo poderiam ser evitadas.

Conversando com uma amiga que se julga feminista defendi o meu pensamento perante o que acho dos estupradores: para mim, são doentes. Em segundo lugar, penso que são sujeitos que se deixam levar pelo seu instinto bicho, psicótico, doentio. Segundo essa minha amiga, a Marcha das Vadias diz que o estupro é algo cultural. Que está inserido na nossa sociedade há séculos. Também concordo com este ponto de vista. Há países no continente africano onde o estupro não é visto como um crime propriamente dito, porém, eu ainda sigo defendendo o ponto de vista que relatei há pouco, pois um homem que força uma mulher a algo que ela não quer não merece outro julgamento senão aquele. Além de claro, merecer uma boa estadia numa prisão de máxima segurança com vários outros estupradores.

Mas agora vamos ao que temos hoje em dia: vivemos dentro de uma cultura machista e, isso é visível em todas as esferas de conhecimento e mudar o pensamento de uma pessoa que já tem uma personalidade formada e um ponto de vista cético perante um assunto determinado é muito difícil. Mas, em contrapartida é exatamente isso o que a Marcha das Vadias defende: propor um diálogo entre essas correntes que são contra ao movimento, mas que sequer sabem o que ele significa.

Para as pessoas mais conservadoras é correto dizer que um homem não deve beijar ou amar um homem e sim uma mulher. E que é errado uma mulher amar outra mulher. Eu sei que isto fugiu um pouco do assunto, mas a Marcha deste ano também tocou nesse assunto. E só toquei nele porque estas pessoas mais conservadoras são as mesmas que defendem a ideia de que uma mulher não pode vestir determinado tipo de roupa. Que uma mulher não pode ter na bolsa uma cartela de camisinhas. Para eles uma mulher para ser considerada decente não deve usar saias muito curtas, decotes exagerados etc. e tal. Mulheres que usam tal vestimenta são tachadas como prostitutas facilmente pela grande massa. Seguindo na linha de pensamento, para eles a mulher também não deve se sujeitar a trabalhar em determinadas profissões, ou ainda ganhar, financeiramente falando, como um homem.

A Marcha pede o fim de todo o tipo de preconceito inserido nesses vários séculos de existência. Da nossa existência. Pede e, com todo direito, de que uma mulher se sinta segura para trabalhar onde deseja, vestir o que mais gosta sem correr o risco de ser violentada pelo próprio parceiro. Pelo próprio empregador. E é assustador o número de mulheres que são violentadas “dentro de casa”. Ano passado aqui no Rio Grande do Sul, foram registrados mais de 2,5 mil casos de violência contra a mulher. P.q.p. São muitos casos. Aí vem uma outra linha de raciocínio que um amigo meu numa conversa corriqueira disse: como não olhar para uma mulher que está vestindo algo que mal tapa a sua bunda, e não se sentir atraído por ela? Comentei isso com minha amiga feminista e ela me disse: é claro que o homem pode notá-la, pode até se sentir de fato atraído, porém, só isso e nada mais. Olhe, mas não toque. Não fale e não crie pré-julgamentos. Outro assunto que abordamos foi em relação aos seios de fora durante as passeatas. Logo fica pergunta: qual é a diferença existente entre um homem sem camiseta na rua e uma mulher sem blusa e sutiã? Sexual. Apenas isso. A mulher ainda é vista como objeto sexual. Pensem sobre isso, reflitam. Para encerrar, quando teremos a primeira Marcha das Vadias de Santo Ângelo?